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Santiago

São Miguel: investigador pede reforço de prevenção antiparasitária em Ribeira de Principal

Um alerta lançado pelo cientista cabo-verdiano Maximiano Fernandes está a preocupar moradores, visitantes e autoridades locais no município de São Miguel, após a identificação de dezenas de casos positivos de um parasita, schistosoma haematobium, associados ao contacto com águas da zona de Ribeira de Principal.

Maximiano Fernandes avisa que a contaminação foi identificada ao longo de cerca de um quilómetro de extensão, iniciando numa área agrícola denominada Estância, passando pela zona da cachoeira e estendendo-se até um tanque conhecido como “Tanque Abaixo”, na localidade de Mato Dentro.

“Encontramos caramujos hospedeiros durante todo esse trajecto e também vários casos positivos em pessoas que estiveram nessas regiões”, explicou ao A NAÇÃO.

Aumento de casos

De acordo com esse investigador, os primeiros levantamentos identificaram nove casos positivos. Entretanto, o número terá aumentado, ultrapassando os 30 casos.

Como também afirma, muitas das pessoas contaminadas relataram ter tido contactos directos com as águas paradas da região. “Encontrámos contaminação até em pessoas que apenas tiveram contacto da água, com os pés ou com as mãos”.

O cientista acrescenta ainda que algumas pessoas infectadas não apresentaram sintomas, o que aumenta a preocupação relativamente à propagação silenciosa da doença. Também alerta que já foram encontrados vários casos assintomáticos, isto é, de indivíduos que, embora contaminados, não apresentaram nenhuns sintomas.

Alerta para moradores, turistas e emigrantes

Face à situação, o investigador recomenda que a população evite contactos com águas daquelas zonas, sobretudo áreas de água parada e locais onde foram encontrados caramujos hospedeiros do schistosoma haematobium.

“Aconselhamos as pessoas a não entrarem em contacto com águas dessas zonas e também de outras áreas ainda não identificadas, principalmente abaixo da cachoeira, porque existe possibilidade de contaminação”, afirmou.

O alerta estende-se igualmente a turistas, guias turísticos e emigrantes. Segundo explicou, pessoas que actualmente se encontram no estrangeiro e que tiveram contacto com aquelas águas devem procurar serviços de saúde e solicitar exames específicos.

“As pessoas que viajaram e tiveram contacto com aquela água devem procurar um médico e pedir testes para detetar schistosoma hematóbio, além de exames de urina”, apelou.

Apesar do alerta, o investigador esclarece que as visitas turísticas à região podem continuar, desde que sejam tomadas medidas preventivas. “Podem fazer turismo, mas sem contacto com a água, principalmente nas zonas de água parada”, reforçou.

Sintomas podem surgir meses depois

Entre os sintomas apontados pelo investigador estão comichão e irritação na pele minutos após o contacto com a água contaminada. No entanto, os sinais mais graves podem surgir apenas meses depois. “Mais tarde, algumas pessoas podem sentir dores ao urinar, embora existam casos em que não aparece nenhum sintoma”, explicou.

Descoberta surgiu após surto de 2022

Segundo Maximiano Fernandes, a descoberta está relacionada com um surto identificado em São Miguel em 2022, causado também por schistosoma haematobium. A seu ver, os primeiros alertas foram divulgados através das redes sociais, levando várias pessoas que estiveram na região a realizar testes posteriormente confirmados como positivos.

“Principalmente pessoas que estiveram juntas nas mesmas zonas acabaram por testar positivo”, indicou.

O cientista admite ainda preocupação com o número real de pessoas contaminadas, sobretudo visitantes que passaram pelas cachoeiras sem saber do risco. “Não sabemos quantas pessoas estiveram naquela cachoeira. Estimamos que existam também pessoas contaminadas na cidade da Praia, porque já apareceram casos de indivíduos que estiveram naquela região e posteriormente testaram positivo”, afirmou.

Necessidade de reforço das informações

Embora reconheça que houve alguma comunicação após a descoberta, Maximiano Fernandes considera necessário reforçar as campanhas de sensibilização junto das comunidades.

“As autoridades locais chegaram a comunicar depois da descoberta, mas é preciso informar mais pessoas, sobretudo aquelas que tiveram contacto com aquela água”, defendeu.

Esta reportagem chama atenção a todos que tiveram algum contacto com a água para procurarem serviços de saúde e fazerem exames.

Na diáspora até agora foi reportado um caso de Portugal e na França de oriundos da zona afetada (São Miguel), segundo Maximiano.

Recomenda o controlo imediato para evitar mais casos de infeções, já que se pode considerar esta doença endémica.

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