Faleceu esta manhã, em Guimarães, Portugal, vítima de doença prolongada o conhecido constitucionalista Wladimir Brito. A informação foi confirmada ao A NAÇÃO online por fonte próxima da família. Recorde-se que foi a partir do trabalho inicial de Wladimir Brito que viria a surgir a Constituição da República de Cabo Verde de 1992, daí ele ser muitas vezes apelidado como “pai” da mesma.
Ainda em Outubro passado, por ocasião de uma homenagem feita pela Universidade do Minho a Vladimir Brito, o Presidente da República, José Maria Neves, enalteceu a trajectória “exemplar” deste conceituado professor e jurista, destacando o seu papel determinante na formação jurídica, na consolidação do Estado de direito e no fortalecimento da cultura democrática.
Wladimir Brito, nasceu na Guiné-Bissau, mas viveu até à juventude em Mindelo, São Vicente, terra dos seus pais. Foi professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, onde exerceu funções de docência e investigação nas áreas do direito constitucional e do direito público. É autor de inúmeras obras.
Sobre o Professor Wladimir Brito
Wladimir Augusto Correia Brito participou contra a ditadura e como militar na Revolução de Abril de 1974, opôs-se ao regime de partido único na Guiné em 1975-77 e em Cabo Verde e foi o redator principal da Constituição de Cabo Verde em 1992, ajudando à transição democrática.
Fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra. Foi depois professor catedrático da Escola de Direito da UMinho e da Universidade Portucalense, presidente do Conselho do Ensino Superior Militar, presidente do Observatório Lusófono de Direitos Humanos, diretor da revista “Scientia Ivridica” e da “Revista Jurídica Portucalense”, cofundador de várias entidades e exerceu advocacia quase 50 anos.
Foi condecorado com a Primeira Classe da Medalha de Mérito pelo Presidente da República de Cabo Verde e foi-lhe atribuído o Estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria pela Assembleia Nacional de Cabo Verde.
Recebeu também a Medalha da Marinha do Brasil e a da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Brasil), entre outras, e foi membro da lista de Conciliadores das Nações Unidas, designado pelo Governo de Portugal.
(Em actualização)

