Trata-se de um dos maiores julgamentos colectivos realizados no país centro-americano, desde que o presidente Nayib Bukele decidiu eliminar os gangs que durante anos puseram El Salvador a ferro e fogo. De acordo com o ministério público, os alegados membros do gang Mara Salvatrucha (MS-13) são acusados de mais de 47,000 crimes cometidos entre 2012 e 2022, incluindo um fim de semana que se tornou o mais sangrento no país, desde a guerra civil.
As acusações incluem homicídio, feminicídio, extorsão e tráfico de armas. O estado de emergência decretado em 2022 vem sendo renovado dezenas de vezes e foi a única forma das forças de segurança poderem prender mais de 91,500 pessoas. Para levar a cabo a sua política de eliminação da violência no país, Bukele conseguiu que o Congresso aprovasse um decreto permitindo julgamentos em massa.
Por outro lado, as medidas tomadas ppor Bukele têm sido contestadas por grupos de defesa dos direitos humanos, que afirmam que os julgamentos colectivos violam os direitos dos acusados à sua defesa e ter acesso a um advogado, como qualquer cidadão. Contestam igualmente a extensão do estado de emergência no país e as violações de direitos humanos durante a sua vigência, e a estratégia para combater o crime.
Os acusados neste julgamento em massa estão detidos em cinco prisões, entre elas a prisão de Cicot, de máxima segurança, inaugurada para este fim por Bukele, em 2023. O ministério público apresentou como provas da acusação relatórios de autópsias, análises balísticas e testemunhos, pedindo ao juiz a pena de prisão máxima para os crimes em causa.
Joaquim Arena

