O líder do Partido Popular (PP), Amândio Vicente, classificou ontem , 02 de abril, a actual governação como um “retrocesso” para a maioria dos cabo-verdianos, questionando as privatizações. Igualmente, criticou as campanhas de “luxo” do MpD e do PAICV.
Em declarações à imprensa, após um contacto directo com o eleitorado na rua pedonal, no Plateau, na Praia, no âmbito da campanha para as eleições legislativas de 17 de Maio, Amândio Vicente questionou o primeiro-ministro e candidato do MpD sobre a intenção de concessionar ou privatizar a CV Handling.
O líder do PP defendeu que um Governo em período de gestão deveria ter competências limitadas para tais actos. O candidato, que criticou as privatizações de forma geral, questionou igualmente o caso “Gamboa” e o seu real benefício para os cidadãos.
“O que é que o senhor Ulisses ganhou se a população perdeu? Temos mais ‘elefantes brancos’ na cidade, como o Mercado do Coco. Se fosse em França, Ulisses estaria preso por ter utilizado e esbanjado dinheiro de fundos públicos”, reiterou.
No sector da saúde, recordou casos de evacuações precárias, enquanto que na economia, estimou uma perda superior a 20 por cento (%) no poder de compra desde 2016, e classificou os baixos índices de desemprego anunciados como um “artifício estatístico” que camufla a realidade através da emigração forçada de jovens para a Europa.
Campanhas luxuosas
Amândio Vicente criticou também o volume de gastos dos “partidos do sistema” (MpD e PAICV), realçando que o orçamento declarado do MpD, de cerca de 175 mil contos, equivaleria à compra de 70 carros novos, enquanto o do PAICV ronda os cem mil contos.
“Eles têm dinheiro para fazer uma campanha de luxo num país pobre, para enganar o povo e receber o seu voto”, sublinhou, acrescentando que, nestas condições, o país não acompanha o referido slogan.
Quanto ao adversário PAICV, apontou o lema “Cabo Verde para Todos” como um engano, lembrando que, no sector da saúde, quem criou a taxa moderadora foi o antigo primeiro-ministro José Maria Neves.
Cinco partidos e mais de 500 candidatos efectivos
Para as eleições legislativas de 17 de Maio próximo, a campanha eleitoral conta com a participação das três forças políticas com assento parlamentar (MpD, PAICV e UCID), assim como a participação do PP e do PTS, que concorrem em apenas seis círculos eleitorais.
Estão em disputa 72 assentos na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais e seis pelos círculos da emigração. Ao todo, são mais de 500 candidatos efectivos em destaque na campanha, que arrancou a 30 de Abril, e decorrerá até às 24 horas do dia 15 de Maio.
Recorde-se que nas últimas eleições legislativas em Cabo Verde, no dia 18 de Abril de 2021, o Movimento para a Democracia (MpD) venceu com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
C/ Inforpress

