O presidente da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), Geremias Furtado, exortou os jornalistas cabo-verdianos a manterem-se firmes perante os vários desafios que a classe continua a enfrentar no exercício da profissão, nomeadamente a precariedade laboral, a autocensura, a fragilidade das redacções, a tentativa de intimidação dos jornalistas, que continuam a condicionar o trabalho jornalístico e a qualidade da informação.
Em declarações à Agência Cabo-verdiana de Notícias (INFORPRESS) no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa assinalado, Domingo, 3 de Maio, Geremias Furtado sublinhou que o sector ainda enfrenta vários problemas.
Citando dados recentes dos Repórteres Sem Fronteiras, o líder da AJOC indicou que factores como a precariedade laboral, a autocensura, a fragilidade das redacções, a tentativa de intimidação dos jornalistas, continuam a condicionar o trabalho jornalístico e a qualidade da informação.
Falta de clareza legal sobre segredo de justiça
De entre as principais preocupações, o presidente da AJOC acrescentou a falta de clareza legal no relacionamento entre jornalistas e a justiça, nomeadamente, no que diz respeito aos artigos 112 e 113 do Código Penal sobre o segredo de justiça.
“Um diz uma coisa e o outro diz outra coisa, então ficamos aqui sem saber se o jornalista está ou não abrangido pelo segredo de justiça, e isso coloca-nos numa situação em que dependerá do entendimento de cada um”, frisou.
Financiamento aos meios privados
A desigualdade no apoio do Estado entre órgãos públicos e privados constitui também preocupação da associação sindical, que entende que o financiamento aos meios privados deve ser encarado como uma forma de garantir o pluralismo informativo, enquanto princípio consagrado na Constituição.
“Mais pluralismo significa mais investigações, mais reportagens e uma opinião pública mais esclarecida”, considerou, alertando, por outro lado, que a questão salarial dos jornalistas continua a ser um factor de vulnerabilidade, numa altura em que os jornalistas têm visto o seu poder de compra a diminuir, “o que os torna mais expostos a pressões”.
Apesar dos desafios, o responsável considerou que Cabo Verde não se encontra numa situação má em termos de liberdade de imprensa na região, mas alertou para sinais preocupantes que exigem atenção.
Defendeu a necessidade de reforçar a literacia mediática e digital, sobretudo entre os jovens, lembrando que a educação é uma ferramenta importante para combater a desinformação e clarificar o que é notícia do que não é.
A AJOC reafirmou a sua disponibilidade em continuar a defender os jornalistas e apelou, neste sentido, à maior adesão dos profissionais à associação, como forma de fortalecer a luta colectiva por melhores condições no sector.
Prémio Nacional de Jornalismo
Para assinalar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a AJOC vai divulgar esta Segunda-feira, 04 de Maio, às 17:00 o resultado do Prémio Nacional de Jornalismo, estando igualmente prevista uma conferência sobre os “fake news” (informações falsas) e desinformação em data a indicar.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, na mensagem para marcar a data ressaltou que os últimos anos registaram um aumento acentuado no número de jornalistas mortos, muitas vezes visados deliberadamente, em zonas de guerra.
Apelou, por isso, à protecção dos direitos dos jornalistas para se construir um mundo onde a verdade, e as pessoas que dizem a verdade, estejam em segurança.
Recorde-se que, de acordo com a mais recente atualização do Ranking da Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteira (RSF), referente a 2026, Cabo Verde cai 10 posições nesse ranking. O país aparece na 40º posição a nível mundial, com 71, 98 pontos, entre 180 países analisados, enquanto que em 2025 ocupava a posição 30.
C/INFORPRESS

