Em comunicado avançado há instantes, o Ministério da Saúde de Cabo Verde subiu para três o número de pessoas com sintomas de hantavírus, a bordo do navio “MV Hondius”, que veio da Argentina e está fundeado junto ao Porto da Praia, em quarentena. Recorde-se que ontem a Delegada de Saúde disse serem 2 o número de doentes identificados, em entrevista à RCV e garantiu que um deles, que necessitava de tratamento, já tinha sido assistido. O Ministério da Saúde voltou a reafirmar que o navio que tem o surto de doença respiratória hantavírus, a bordo, “não atracará no Porto” com objetivo de “proteger a saúde pública nacional”. No total são 147 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulação. Aos cabo-verdianos, a tutela garante que a situação está sob controlo e diz não existe qualquer risco para a população em terra.
O Ministério da Saúde diz que a decisão de não autorizar o navio a atracar no Porto da Praia foi tomada depois de avaliação técnica e epidemiológica e avança que continuará a acompanhar a situação.
Na missiva, garante que as autoridades sanitárias do país estiveram “desde o primeiro momento” a acompanhar a situação do navio, como já havia avançado incialmente o A NAÇÃO online aqui após notificação de entidades sanitárias internacionais de um surto de doença respiratória a bordo, com ocorrência de casos graves e óbitos.
Assim sendo, o Ministério da Saúde avança que o navio permanece em alto mar sob acompanhamento permanente das autoridades sanitárias.
“A assistência médica necessária está a ser assegurada por uma equipa destacada para o efeito, composta por médicos especialistas, enfermeiros, técnicos de laboratório e foram igualmente preparadas medidas de respostas Hospitalares para eventual necessidade de cuidados diferenciados Hospital Dr. Agostinho Neto”, assegura.
Situação sob controlo e sem risco para os cabo-verdianos
Na mesma nota, o ministério garante que, através de um trabalho coordenado entre a Direção Nacional da Saúde, as estruturas de saúde locais, o INSP, as autoridades marítimas e portuárias, com o suporte da OMS Cabo Verde/AFRO, Pontos Focais do RSI e autoridades dos Países Baixos e do Reino Unido, deu-se uma resposta “célere, segura e tecnicamente adequada”, garantindo o acompanhamento clínico dos doentes e a preparação de todas as medidas de precaução necessárias, “incluindo uma possível evacuação sanitária por via aérea através de avião ambulância dos pacientes em seguimento”.
Portanto, continua, neste momento a situação está sob controlo e não existe qualquer risco para a população em terra. O Ministério da Saúde diz que mais informações serão avançadas mediante a evolução da situação e apela à serenidade.
Três óbitos confirmados
Recorde-se que esta infecção já provocou três mortes a bordo, sendo um casal de europeus e um cidadão britânico, óbitos confirmados pela OMS. O marido foi o primeiro a falecer a bordo e a esposa e o britânico foram evacuados para um hospital na África do Sul onde acabaram por falecer, também. Até ontem havia uma pessoa internada nos cuidados intensivos, no mesmo hospital. Com este, mais os 3 suspeitos que estão a bordo do navio fundeado ao largo da Praia, sobe para 4 o número de infectados.
O que é a hantavirose?
A hantavirose é uma doença infecciosa aguda e grave, transmitida por roedores (ratos) silvestres. Causada por vírus do gênero Orthohantavirus, a infecção ocorre principalmente pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva desses ratos, podendo evoluir para Síndrome Cardiopulmonar (grave falta de ar) ou, menos comum, síndromes renais.
A inalação de partículas contaminadas – por exemplo, durante a limpeza de espaços com presença de ratos – é uma das formas mais comuns de infeção.
Informações sobre as outras formas de transmissão
No comunicado, o Ministério da Saúde explicou ainda as outras formas de transmissão e seguem abaixo e na íntegra:
– Percutânea, por meio de escoriações cutâneas ou mordedura de roedores;
– Contato do vírus com mucosa (conjuntival, da boca ou do nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
– Transmissão pessoa a pessoa, relatada, de forma esporádica, na Argentina e Chile, sempre associada aos hantavírus Andes.
O período de transmissibilidade dos hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior virem ia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas.
Já o período de incubação do vírus, ou seja, o período que os primeiros sintomas começam a aparecer a partir da infecção, é, em média, de 1 a 5 semanas, com variação de 3 a 60 dias.
Os primeiros sinais da infeção são frequentemente confundidos com gripe: fadiga, febre e dores musculares. Em alguns casos surgem também dores de cabeça, tonturas, arrepios e problemas abdominais.
No entanto, a doença pode evoluir rapidamente. Em poucos dias, surgem sintomas mais graves, como tosse, falta de ar e acumulação de líquidos nos pulmões, o que pode levar a dificuldades respiratórias severas.

