O candidato do Partido Popular (PP) a primeiro-ministro denunciou ontem, 12, em Santa Cruz, o que chama de “política de engano” e criticou os subsídios atribuídos aos deputados para visitas aos círculos eleitorais. Amândio Vicente apontou ainda que os emigrantes enfrentam barreiras severas, desde a burocracia nas alfândegas e embaixadas até à dificuldade em investir.
Em mais uma acção de contacto directo com o eleitorado, a comitiva do Partido Popular (PP) passou por Achada Fazenda e Pedra Badejo (Santa Cruz), onde interpelou a população sobre o grau de satisfação face às promessas eleitorais, tendo auscultado queixas relativas ao abandono dos dois maiores partidos no que toca ao cumprimento dos compromissos assumidos.
Críticas ao sistema bipartidário
Face a estas reclamações, Amândio Vicente reforçou, em declarações à imprensa, as críticas ao sistema bipartidário e afirmou que o sentimento generalizado nas comunidades é de uma profunda “tristeza e revolta” pela forma como a política tem sido conduzida pelos partidos do poder.
Para o líder do PP, a política cabo-verdiana transformou-se na “arte de enganar o cidadão”, argumentando que, em período de campanha, os políticos “andam à caça de votos” para depois desaparecerem, deixando para trás promessas enganadoras.
PP critica Estatuto do Deputado
Neste contexto, Amândio Vicente, focou-se especificamente no Estatuto do Deputado, criticando os benefícios financeiros que considera excessivos e injustos perante a realidade do país.
“Os parlamentares recebem mensalmente 90 mil escudos como subsídio para visitas aos seus círculos eleitorais e uma revisão imediata da lei para garantir maior transparência e ética no exercício de funções públicas.
As preocupações da diáspora cabo-verdiana também estiveram na agenda, tendo o candidato afirmado que os emigrantes enfrentam barreiras severas, desde a burocracia nas alfândegas e embaixadas até à dificuldade em investir, devido àquilo que considera ser uma “excessiva partidarização” das instituições.
Cinco partidos e mais de 500 candidatos efectivos
Para as eleições legislativas de 17 de Maio próximo, a campanha eleitoral conta com a participação das três forças políticas com assento parlamentar (MpD, PAICV e UCID), assim como a participação do PP e do PTS, que concorrem em apenas seis círculos eleitorais.
Estão em disputa 72 assentos na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais e seis pelos círculos da emigração. Ao todo, são mais de 500 candidatos efectivos em destaque na campanha, que arrancou a 30 de Abril, e decorrerá até às 24 horas do dia 15 de Maio.
Recorde-se que nas últimas eleições legislativas em Cabo Verde, no dia 18 de Abril de 2021, o Movimento para a Democracia (MpD) venceu com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.
C/Inforpress

