O MpD, liderado por Ulisses Correia e Silva, estruturou a sua plataforma eleitoral em torno da continuidade das reformas iniciadas e da resiliência económica. O partido, em busca do seu terceiro mandato, continua a defender o modelo de concessão dos transportes marítimos e afirma que a educação deve ser tratada como o motor da ascensão social e da competitividade económica.
O pilar de Resiliência e Retoma Económica do MpD para as legislativas de 2026 foca-se em blindar o país contra choques externos, acelerando a transição de um modelo de “sobrevivência” para um de “crescimento sustentável”.
Na Economia Azul, o MpD pretende potencializar a exploração sustentável dos oceanos, desde a pesca industrializada até aos serviços portuários e logística marítima.
Em relação ao turismo sustentável, a ideia é fazer a descentralização para ilhas como Santo Antão, Fogo e Brava, focando-se no ecoturismo e na redução da “saturação turística” nas ilhas do Sal e Boa Vista.
Para o MpD, a independência energética é sinónimo de resiliência económica. A aposta massiva em parques solares e eólicos visa baixar a fatura energética para as empresas, aumentando a competitividade nacional. Defende o uso de energias renováveis para a dessalinização da água, garantindo resiliência na agricultura perante as secas cíclicas.
Transportes
O sector dos transportes é talvez o terreno mais desafiante para o MpD, sendo o eixo onde o partido mais precisa de convencer o eleitorado da eficácia das suas parcerias e concessões. O MpD defende o modelo de concessão à Cabo Verde Interilhas (CVI), mas reconhece a necessidade de evolução para resolver a escassez de frota.
O compromisso central é a aquisição e o afretamento de novos navios para garantir previsibilidade. O partido admite que o problema atual é a “falta de barcos” e não apenas o modelo de gestão.
Para que haja regularidade e pontualidade nos transportes marítimos, o MpD defende a implementação de um sistema de monitorização mais rigoroso para reduzir os cancelamentos que afetam o comércio e o turismo.
Em relação aos transportes aéreos, a estratégia passa pela consolidação da TACV (Cabo Verde Airlines) como instrumento de soberania e ligação à diáspora. O MpD justifica a intervenção do Estado na companhia como uma medida necessária pós- -pandemia para garantir que o país não fique isolado.
Em relação ao preço das passagens, o partido propões fazer um estudo de mecanismos de diferenciação tarifária para residentes, visando tornar o custo das viagens inter-ilhas mais suportável para as famílias.
Educação e saúde
A Educação é tratada como o motor da ascensão social e da competitividade económica. O foco principal não é apenas o acesso, mas a qualidade e a alinhamento com o mercado de trabalho.
Um dos principais eixos é a universalização e obrigatoriedade do pré-escolar, com vista a torná-lo parte integrante e obrigatória do sistema educativo e garantir que todas as crianças, independentemente da condição económica da família ou da ilha onde residem, tenham acesso à educação pré-escolar para reduzir as desigualdades à entrada do ensino básico.
Para preparar os jovens para a “Nova Economia” o MpD propõe ter escolas conectadas com a garantia de internet de alta velocidade e equipamentos em todas as escolas secundárias.
Outra aposta será a introdução e o reforço de competências digitais, programação e línguas estrangeiras (Inglês e Francês) desde os níveis mais cedo. Também fala na expansão das escolas técnicas para formar quadros intermédios em áreas como Energias Renováveis, Economia Azul e Turismo Digital.
No ensino superior e formação profissional, o MpD propugna a manutenção e expansão do programa de bolsas de estudo, a implementação do recém-aprovado regime jurídico de trabalho temporário para estudantes universitários, facilitando a conciliação entre estudo e as primeiras experiências laborais e reforçar o papel da Uni-CV como centro de investigação aplicada ao desenvolvimento das ilhas.
Na área da Saúde, a plataforma do MpD foca-se na transição de um sistema de “cuidados básicos” para um sistema de especialização e digitalização. O partido apresenta a saúde como o pilar central do Estado Social, com propostas que visam reduzir a dependência de evacuações para o exterior.
Daniel Almeida
Publicado na Edição 974 do Jornal A Nação, 30 de Abril de 2026

