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Política

UCID quer romper o “bipartidarismo”

A plataforma eleitoral da UCID para as legislativas de 17 de Maio tem sido apresentada com um foco central no equilíbrio do sistema político e no combate às desigualdades sociais. O partido de João Santos Luís se posiciona como a “terceira via” necessária para romper o bipartidarismo em Cabo Verde.

A visão económica da UCID para as legislativas centra-se numa crítica ao actual modelo de crescimento, que o partido democrata-cristão considera estar excessivamente baseado no consumo e menos na produção e no investimento produtivo.

A proposta económica baseia-se no conceito de uma “Terceira República”, com destaque para a política fiscal e custo de vida. Nesse aspecto defende a redução do IVA, com a descida de taxas em sectores estratégicos para aliviar as famílias e microempresas.

Crítica à previsão de inflação do Governo, propondo medidas de proteção direta ao poder de compra através de atualizações salariais mais ambiciosas e defende incentivos à diáspora.

A UCID aconselha o Governo a suster o programa de privatizações em curso, argumentando que a venda de ativos estratégicos deve ser feita com maior transparência e foco no interesse nacional, e não apenas para gerar receita imediata.

Transportes

A UCID posiciona o sector dos transportes como o maior “estrangulamento” ao desenvolvimento de Cabo Verde. Para as legislativas de 17 de Maio, o partido defende que a mobilidade não deve ser tratada como um negócio, mas como um serviço público essencial e uma extensão do território nacional.

Propõe que o Governo “assuma em pleno” a responsabilidade pelos voos inter- -ilhas e critica a dependência excessiva de operadoras privadas que têm falhado na regularidade. E defende que a gestão portuária e aeroportuária deve considerar as especificidades de cada ilha, evitando que decisões estratégicas fiquem centralizadas apenas na capital.

Para esta força política, nesta legislatura o terceiro partido com assento parlamentar, a unificação do mercado interno passa obrigatoriamente pelo mar. A UCID exige um sistema onde as ligações sejam “certas”, permitindo que agricultores e comerciantes possam planear o escoamento de produtos.

Defende investimentos em navios com maior capacidade de carga e rapidez, adequados às condições do mar de Cabo Verde, para reduzir os custos logísticos que encarecem os produtos nas ilhas mais periféricas.

Saúde e educação

Para a UCID, a educação é o motor fundamental para o sucesso do país em todos os domínios. A plataforma eleitoral para as legislativas de 17 de Maio defende a transição de um sistema focado em números para um sistema focado na qualidade e na empregabilidade.

O partido defende uma reforma profunda no acesso à universidade para evitar que o custo financeiro seja uma barreira. Para o efeito propõe aumentar significativamente o número de bolsas de estudo, garantindo que estudantes de famílias carenciadas em todas as ilhas tenham as mesmas oportunidades.

A UCID propõe alinhar o currículo educativo com as necessidades reais do mercado de trabalho nacional e regional, com foco no investimento em centros de formação profissional técnica para jovens que não seguem a via académica tradicional. Defende ainda a criação de incentivos para que o setor privado participe na definição dos cursos, garantindo que o que se ensina é o que as empresas precisam contratar.

Para a UCID, o setor da saúde em Cabo Verde sofre de uma crise de gestão e de falta de especialistas, o que obriga a um sistema de evacuações médicas dispendioso e ineficiente. O partido defende uma transição do modelo “reativo” (tratar a doença) para um modelo “preventivo” e de proximidade.

A UCID defende que a “saúde não pode ser um privilégio de quem vive na capital” e, por isso, propõe o reforço dos Centros de Saúde, equipando-os, principalmente os das ditas ilhas periféricas, com meios de diagnóstico básico (raios-X, análises clínicas) para evitar deslocações desnecessárias.

Daniel Almeida

Publicado na Edição 974 do Jornal A Nação, 30 de Abril de 2026

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