Para as eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, o Partido Popular (PP), liderado por Amândio Barbosa Vicente, mantém uma linha de oposição pragmática e crítica ao sistema partidário tradicional (MpD e PAICV). Embora não disponha de recursos para grandes campanhas, a sua plataforma foca- -se na reforma do Estado e na justiça social.
O PP é favorável a uma reforma institucional, por forma a reduzir gastos e, por isso, defende a diminuição do número de deputados, argumentando que o custo da máquina política é insustentável para o país. Defende, também, o fim de regalias para cargos políticos, como viaturas de luxo e ajudas de custo excessivas, redirecionando esses fundos para áreas sociais.
O combate à corrupção é uma das principais bandeiras do partido, que defende uma fiscalização rigorosa dos fundos públicos e a denúncia de alegados casos de má gestão ou clientelismo.
Economia
Até aqui sem acento parlamentar, o PP apresenta uma visão de “rutura” com o modelo actual, focando-se na redução do custo da máquina estatal para aliviar as famílias e os pequenos negócios. O partido baseia a sua proposta no conceito de justiça económica, defendendo que o crescimento do país deve ser sentido diretamente no “bolso do cidadão comum” e não apenas nas estatísticas do turismo.
Defende uma descida de impostos diretos, argumentando que o IVA e as taxas sobre combustíveis e eletricidade são excessivos e penalizam o consumo das famílias. E propõe, também, políticas específicas para proteger vendedeiras de rua (rabidantes) e pequenos artesãos, eliminando taxas municipais que consideram “asfixiantes”.
O PP opõe-se à “venda do país”, criticando o modelo de privatizações (especialmente em setores estratégicos como a CV Handling e a Electra) e defende maior controlo nacional sobre orlas marítimas.
Transportes
Para o PP, a questão dos transportes é encarada como um pilar de soberania nacional e justiça social. O partido liderado por Amândio Barbosa Vicente tem sido uma das vozes mais críticas à gestão do setor, classificando a situação atual como “caótica”.
É frontalmente contra o modelo de concessões e privatizações a empresas estrangeiras e, por isso, defende que setores estratégicos como o transporte aéreo e marítimo deveriam ser geridos pelo próprio país, reduzindo a dependência de grupos externos.
O partido condena o que chama de “subsidiação excessiva”, argumentando que o Estado paga para ter um serviço com “deficiências e atrasos”. Defende uma maior intervenção do Estado ou, pelo menos, uma regulação que impeça que o lucro das concessionárias se sobreponha à obrigação de serviço público.
Educação e saúde
Na visão do PP, a educação deve ser tratada como um serviço público essencial que tem ser protegido da “mercantilização”. O partido argumenta que o atual sistema, embora apresente bons números de alfabetização, falha em garantir a igualdade de oportunidades e em preparar a juventude para o mercado de trabalho real.
O PP defende que a educação deve ser totalmente gratuita para os estratos mais desfavorecidos, indo além da isenção de propinas. Em relação ao apoio escoar, propõe o reforço da ação social escolar (FICASE) para garantir que nenhuma criança abandone a escola por falta de manuais, transporte ou alimentação.
Crítica o “ensino de ricos” por considerar que existe um fosso entre o ensino privado e o público e, por isso, defende que o Estado deve investir massivamente na escola pública para que esta seja a primeira escolha de todos os cidadãos.
No ensino superior propõe o alinhamento da oferta formativa das universidades com as necessidades estratégicas do país, evitando a “fábrica de licenciados desempregados” em áreas sem saída profissional.
O PP defende mecanismos de financiamento mais justos para estudantes universitários, criticando o endividamento precoce das famílias com propinas elevadas.
Para o PP a saúde é um direito que não pode ser condicionado pela capacidade financeira do cidadão e, por isso, foca o seu discurso na humanização dos serviços, no sentido de se pôr fim ao “negócio da doença”.
A bandeira principal do Partido Popular é a gratuidade total dos cuidados de saúde para as camadas mais pobres da população.
Daniel Almeida
Publicado na Edição 974 do Jornal A Nação, 30 de Abril de 2026

