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Política

PTS quer ser “terceira via”

Sob o lema “Cabo Verde no Coração” o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS), liderado por Jónica Brito, apresenta-se com uma plataforma focada na renovação política e no combate ao bipartidarismo tradicional (MpD/ PAICV). O partido quer se posicionar como uma “terceira via” necessária para equilibrar o Parlamento.

O PTS tem sido uma voz crítica em relação ao que chama de “números que não se refletem na mesa dos cabo-verdianos”. O partido fundado por Onésimo Silveira e que já foi liderado por Romeu di Lurdis, também falecido, considera que tem havido um crescimento económico de “fachada”, argumentando que o crescimento do PIB não reflecte a realidade da maioria da população. Defende que a riqueza gerada pelo turismo deve ser melhor distribuída.

Agora sob a liderança de Jónica Brito, o também conhecido partido “Pessoas, Trabalho e Solidariedade” propõe uma agenda de transformação que reduza a dependência externa, defendendo que o fomento à produção interna é a única forma de mitigar a inflação importada.

O PTS defende, igualmente, inclusão da diáspora no desenvolvimento de Cabo Verde, através do incentivo ao investimento dos cabo-verdianos no estrangeiro como motor de desenvolvimento, não apenas através de remessas, mas como parceiros estratégicos.

Transportes

Para o PTS, os transportes interilhas devem ser tratados como uma prioridade de sobrevivência económica e social, com o Estado a assumir um papel mais atuante no modelo de gestão para garantir o mercado único nacional.

O PTS critica a gestão atual das ligações inter-ilhas, argumentando que a dependência de um operador único (CV Interilhas) tem falhado com as populações, especialmente em ilhas como Brava e São Nicolau.

O PTS defende uma revisão do modelo de concessão dos transportes marítimos e considera que é necessária uma fiscalização estatal mais rigorosa sobre os horários e a regularidade das viagens. E propõe para isso tarifas diferenciadas para produtores agrícolas e pescadores, visando baixar o preço dos alimentos ao facilitar o transporte entre ilhas produtoras e centros de consumo (como Sal e Boa Vista).

Nos transportes aéreos, face ao que considera de constantes cancelamentos e avarias que marcaram o início de 2026, o PTS propõe o apoio à concorrência e diz ver com bons olhos a entrada de novos operadores, por entender que o Estado deve garantir um mercado competitivo para evitar preços proibitivos para os residentes.

Educação e saúde

O PTS defende que a educação precisa de uma consistência estratégica que não mude a cada ciclo eleitoral. Para o efeito, propõe um pacto nacional para a educação que garanta a continuidade de reformas estruturantes, independentemente de quem esteja no Governo.

O partido critica à visão estatística de “sucesso educativo” e defende que o foco deve mudar da quantidade de alunos matriculados para a qualidade real das competências adquiridas.

Defende um ensino mais orientado para as necessidades reais do mercado cabo-verdiano, especialmente nas áreas da economia azul, digital e energias renováveis e a valorização do ensino técnico, através de maior investimento na formação profissional como via rápida e digna para o emprego jovem, para combater o estigma de que apenas o ensino universitário é sinónimo de sucesso.

O PTS coloca a saúde como um dos eixos prioritários da sua “Agenda de Transformação a Longo Prazo”. A sua abordagem, enquanto partido, distancia-se da gestão puramente estatística e foca-se na humanização e na consistência do sistema nacional de saúde.

O PTS considera que saúde não pode ser refém de ciclos políticos de cincoanos e, por isso, defende criação de uma agenda de saúde independente das alternâncias governativas (MpD/PAICV), garantindo que investimentos estruturantes e políticas de prevenção continuem mesmo com mudanças de Governo.

Daniel Almeida

Publicado na Edição 974 do Jornal A Nação, 30 de Abril de 2026

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