O relatório de elegibilidade para o exercício fiscal de 2027 do Millennium Challenge Corporation (MCC), apresentado ao Congresso dos Estados Unidos, destaca Cabo Verde como a grande referência de estabilidade, boa governança e integridade democrática na região. Este posicionamento no topo das classificações do MCC, não só faz com que o país seja elegível para um terceiro compacto do MCA em 2027 como também serve como selo de garantia para atração de investimento direto estrangeiro e cooperação multilateral.
O referido relatório confirma a clivagem na governança na África Ocidental, uma vez que países governados por juntas militares foram excluídos dos financiamentos americanos, enquanto que Cabo Verde surge como a grande referência de estabilidade, boa governança e integridade democrática na região.
Cabo Verde como “modelo de boa gestão”
No mais recente mapeamento do MCC, que avalia o compromisso das nações com a liberdade económica, a democracia e os investimentos sociais, Cabo Verde foi classificado como país candidato sem reservas.
A posição reflete a consolidação de Cabo Verde como um “modelo de boa gestão”, qualificando-o plenamente para disputar e implementar programas de grande impacto financeiro.
Em contrapartida, vizinhos regionais como Burkina Faso, Mali e Níger foram formalmente banidos da lista de assistência económica. Estes três países foram vetados com base na Secção 7008 da legislação financeira dos EUA, que proíbe o envio de fundos de apoio a governos resultantes de golpes de Estado militares.
O avanço de Cabo Verde: Oportunidades no terceiro Compacto Regional
Para além de assegurar a permanência na lista restrita de países elegíveis, Cabo Verde avança na consolidação do seu terceiro Compacto do MCC. Diferente dos acordos bilaterais anteriores, a nova parceria foca-se no desenvolvimento regional, com investimentos direcionados a áreas estratégicas como a integração regional, a economia digital e resiliência económica.
Num momento em que a África Ocidental enfrenta instabilidade política e recuos democráticos, a avaliação de Washington reafirma o prestígio internacional das instituições cabo-verdianas.
A manutenção do país no topo das classificações do MCC não apenas garante acesso a recursos não reembolsáveis, mas também serve como selo de garantia para atração de investimento direto estrangeiro e cooperação multilateral.
Daniel Almeida

