A Konferénsia Panafrikanu di Lisboa realiza, no próximo dia 12 de setembro, a terceira “Marxa Cabral”. A iniciativa, inspirada nas Marchas Cabral realizadas em Cabo Verde, pretende colocar no espaço público português questões relacionadas com o anticolonialismo, o panafricanismo e a defesa da Terra e da Vida. O evento terá início na Rotunda do Marquês de Pombal, pelas 14h30.
Sob o lema “Em Defesa da Terra i pa Vida: Reconhecer, Reparar, Descolonizar”, a marcha vai percorrer a Avenida da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e o Largo de São Domingos, em Lisboa.
Esta terceira edição pretende refletir sobre a atualidade do pensamento de Amílcar Cabral perante a crise ecológica e as alterações climáticas. A organização destaca, neste âmbito, o trabalho científico e político de Cabral relacionado com a terra, desde a denúncia da erosão dos solos em Cabo Verde, passando pela investigação desenvolvida em Angola, pelo trabalho junto das comunidades rurais da Guiné-Bissau e pela solidariedade com trabalhadores rurais do Alentejo.
“Esta edição parte da convicção de que a luta contra o racismo, o colonialismo e todas as formas de opressão não pode ser separada da luta pela Terra e pela Vida, por integrarem o mesmo projeto de libertação total”, salienta a organização.
Segundo a mesma fonte, a iniciativa é construída em djunta-mô com movimentos e organizações negras, bairros, associações, coletivos e outras forças sociais ligadas às lutas anticolonial e anticapitalista.
Luta contra o racismo
A Konferénsia Panafrikanu di Lisboa defende que a luta contra o racismo, o colonialismo e outras formas de opressão deve estar associada à defesa da Terra e da Vida, considerando estas dimensões parte de um mesmo processo de libertação.
“A III Marxa devolve ao espaço público português a agenda panafricanista das reparações, afirmando-a como um programa radical de abolição, de desordem absoluta da ordem colonial e de construção de uma sociedade nova, num momento em que Portugal optou por se abster na votação da Assembleia-Geral das Nações Unidas que reconheceu a Escravatura e o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Recusamos circunscrever a reparação à mera restituição simbólica ou compensação financeira, assim como recusamos que seja feita à custa dos trabalhadores e das classes populares. A sua definição e condução devem caber, antes de tudo, aos povos historicamente lesados”, lê-se na nota.
16.ª Konferénsia Panafrikanu di Lisboa e outras atividades
Conforme a mesma fonte, a preparação da III Marxa Cabral decorreu ao longo de vários meses e incluiu diversas atividades, entre as quais a Futebolada Cabral, realizada em homenagem à seleção cabo-verdiana de futebol, oficinas de construção coletiva de cartazes, a pintura de um mural promovida pela Associação Juvenil Esperança da Quinta da Princesa, uma roda de conversa, sessões de capoeira e batuku.
Integrada na programação, a 16.ª Konferénsia Panafrikanu di Lisboa acolheu ainda, pela primeira vez, uma Aula Magna, proferida pelo sociólogo, educador e panafricanista Alexssandro Robalo, sob o tema “A Educação que Queremos para a África que Esperançamos: Un analizi kritiku desdi txon di Kabuverdi”.
Apresentação III Declaração Panafricanista de Lisboa
O programa do dia 12 de setembro termina no Largo de São Domingos com um momento político e cultural, durante o qual será apresentada publicamente a III Declaração Panafricanista de Lisboa. O encerramento contará ainda com atuações de batukaderas e de vários artistas convidados.
Criada em 2018, a Konferénsia Panafrikanu di Lisboa surgiu na sequência de uma vigília contra a escravatura na Líbia, realizada no final de 2017. Desde então, apresenta-se como um espaço permanente de encontro, mobilização e intervenção política de inspiração panafricanista, anticolonial e abolicionista.

