PUB

Convidados

Cooperação com a China ganha nova dinâmica e aproxima Cabo Verde do gigante asiático

Por: Luís Carvalho*

A cooperação entre Cabo Verde e a República Popular da China atravessa uma fase de renovado dinamismo, marcada pelo alargamento das áreas de parceria, pela intensificação dos contactos institucionais e por uma crescente aposta na formação e no conhecimento mútuo entre os dois povos.

Ao longo dos anos, a China consolidou-se como um dos importantes parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde, deixando marcas em vários sectores e contribuindo para a execução de projectos estruturantes no arquipélago. 

A cooperação, inicialmente mais associada à construção de infra-estruturas e ao apoio técnico, tem vindo, entretanto, a ganhar novas dimensões, acompanhando as transformações económicas, tecnológicas e sociais que caracterizam o mundo contemporâneo.

Neste novo momento, merece destaque o papel desempenhado pelo actual embaixador da República Popular da China em Cabo Verde, Zhang Yang, cuja acção diplomática tem sido marcada por uma notória iniciativa no sentido de aproximar ainda mais os dois países e, sobretudo, proporcionar aos cabo-verdianos um conhecimento mais directo da realidade chinesa.

A diplomacia chinesa na Praia tem procurado ir além das tradicionais relações institucionais, promovendo iniciativas de intercâmbio, visitas de estudo, programas de formação e seminários destinados a diferentes sectores da sociedade cabo-verdiana.

Esta dinâmica permite que jornalistas, quadros da administração pública, técnicos e outros profissionais tenham contacto directo com a experiência chinesa e conheçam, no próprio terreno, as profundas transformações ocorridas naquele país nas últimas décadas.

A importância dessas iniciativas reside precisamente na possibilidade de ultrapassar uma visão distante ou meramente teórica sobre a China. Conhecer o país através das suas cidades, universidades, empresas, centros tecnológicos, zonas rurais e instituições permite compreender melhor a dimensão do desenvolvimento chinês, mas também os desafios enfrentados por uma nação que, em poucas décadas, se transformou numa das maiores potências económicas e tecnológicas do mundo.

Para Cabo Verde, um pequeno Estado insular com recursos naturais limitados, a experiência chinesa pode constituir uma fonte importante de reflexão, aprendizagem e inspiração, sem que isso signifique a simples reprodução de modelos. O essencial é identificar experiências que possam ser adaptadas à realidade nacional e contribuir para responder aos desafios específicos do arquipélago.

Experiência chinesa pode constituir uma fonte importante de reflexão para Cabo Verde

A agricultura é uma das áreas em que a cooperação sino-cabo-verdiana pode continuar a ganhar relevância. Num país fortemente condicionado pela escassez de água, pela irregularidade das chuvas e pelas alterações climáticas, a utilização de novas tecnologias agrícolas apresenta-se como uma necessidade cada vez mais urgente.

A China acumulou uma vasta experiência na investigação agrícola, na irrigação, no aumento da produtividade, na utilização de tecnologias digitais e na modernização das cadeias de produção. A cooperação nestes domínios pode contribuir para reforçar a segurança alimentar cabo-verdiana, melhorar a produtividade e criar novas oportunidades para agricultores e jovens empreendedores.

A introdução de sistemas de rega mais eficientes, técnicas de poupança de água, estufas, agricultura inteligente e outras soluções tecnológicas poderá assumir particular importância num país onde cada gota de água é um recurso estratégico.

A crescente aproximação entre Cabo Verde e a República Popular da China demonstra, entretanto, que a cooperação bilateral entrou numa fase em que o conhecimento e a capacitação ganham uma importância cada vez maior. E é precisamente nesta aproximação entre pessoas, conhecimentos e instituições que reside uma das dimensões mais promissoras da actual cooperação entre Cabo Verde e a China: uma parceria que procura olhar para além das relações tradicionais e abrir novos caminhos em áreas capazes de influenciar o futuro do desenvolvimento de Cabo Verde

Outra área com enorme potencial é a das novas tecnologias. A transformação digital está a alterar rapidamente a forma como os países produzem, comunicam, prestam serviços e organizam a administração pública. A China tornou-se uma das referências mundiais nos domínios das telecomunicações, comércio electrónico, inteligência artificial, robótica, energias renováveis e economia digital.

Para Cabo Verde, que aposta na modernização do Estado e na construção de uma economia baseada no conhecimento, a cooperação tecnológica com Pequim pode abrir novas possibilidades de formação e transferência de conhecimentos.

A capacitação de jovens, técnicos e especialistas cabo-verdianos em áreas ligadas à inteligência artificial, tecnologias da informação, inovação e economia digital poderá contribuir para preparar o país para os desafios da nova economia mundial.

Também a formação de recursos humanos constitui um dos pilares fundamentais desta cooperação. Mais do que financiar projectos ou construir infra-estruturas, o desenvolvimento sustentável depende da capacidade das pessoas e das instituições.

É neste sentido que os seminários e programas de formação promovidos na China assumem uma importância particular. Ao proporcionar a profissionais cabo-verdianos a oportunidade de conhecer experiências chinesas, estas iniciativas contribuem para criar pontes de conhecimento entre os dois países.

Os intercâmbios permitem igualmente estabelecer contactos profissionais e institucionais que podem gerar futuras parcerias nas áreas da comunicação, educação, ciência, tecnologia, agricultura e administração pública.

As transformações económicas, sociais e tecnológicas em curso na China

A comunicação e o conhecimento mútuo entre os povos constituem, aliás, uma dimensão essencial das relações bilaterais. Durante muito tempo, a percepção que muitos africanos tinham da China era construída sobretudo através de informações produzidas noutros países.

As visitas de estudo e os intercâmbios permitem, por isso, que jornalistas e outros profissionais tenham uma experiência directa da realidade chinesa e possam formar as suas próprias impressões sobre as transformações económicas, sociais e tecnológicas em curso naquele país.

Esta aproximação humana e cultural poderá ser tão importante quanto a cooperação económica. Afinal, relações sólidas entre países não se constroem apenas através de acordos governamentais, mas também pelo conhecimento, confiança e compreensão entre os seus povos.

A aposta do actual embaixador Zhang Yang na promoção destes contactos revela uma diplomacia activa e orientada para a aproximação entre as sociedades. A organização e facilitação de missões, programas de intercâmbio e seminários contribuem para tornar a cooperação sino-cabo-verdiana mais visível e mais próxima dos cidadãos.

Num mundo cada vez mais marcado pela competição tecnológica e económica, Cabo Verde tem interesse em diversificar as suas parcerias e aprender com diferentes experiências internacionais. A China, pela dimensão da sua economia, pela capacidade tecnológica e pela experiência acumulada no desenvolvimento, representa um parceiro com o qual o arquipélago pode aprofundar a cooperação em sectores estratégicos.

Para além da agricultura e das novas tecnologias, existem oportunidades nas áreas das energias renováveis, formação profissional, saúde, educação, turismo, economia marítima, infra-estruturas e inovação.

Crescente aproximação entre Cabo Verde e a República Popular da China

O desafio para Cabo Verde será continuar a transformar a cooperação internacional em resultados concretos para a população. Isso significa garantir que os programas de formação tenham continuidade, que os conhecimentos adquiridos sejam aproveitados pelas instituições e que os projectos respondam  efectivamente às prioridades nacionais.

A crescente aproximação entre Cabo Verde e a República Popular da China demonstra, entretanto, que a cooperação bilateral entrou numa fase em que o conhecimento e a capacitação ganham uma importância cada vez maior.

Ao criar oportunidades para que mais cabo-verdianos conheçam directamente a realidade chinesa, participem em seminários e estabeleçam contactos com instituições daquele país, a diplomacia chinesa na Praia contribui para construir uma cooperação mais moderna, diversificada e assente também na partilha de experiências.

Num arquipélago que procura afirmar-se como uma plataforma de serviços, inovação e conhecimento no Atlântico, compreender as transformações de uma das maiores potências mundiais pode representar uma vantagem importante.

E é precisamente nesta aproximação entre pessoas, conhecimentos e instituições que reside uma das dimensões mais promissoras da actual cooperação entre Cabo Verde e a China: uma parceria que procura olhar para além das relações tradicionais e abrir novos caminhos em áreas capazes de influenciar o futuro do desenvolvimento cabo-verdiano.

*Da Agência Inforpress

PUB

PUB

PUB

To Top