
Por: Dulcineia Gonçalves
O recente encontro, realizado a 29 de Agosto, entre o Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e a comunidade cabo-verdiana residente em Angola deixou uma lição fundamental sobre a governação democrática: a democracia só atinge a sua plenitude quando aproxima governantes e cidadãos.
Mais do que uma formalidade, estes momentos constituem uma ferramenta prática indispensável para transformar realidades. São, igualmente, um modelo de escuta activa que bem poderia servir de inspiração para outras paragens.
A democracia na prática e a missão de servir
Quando os representantes do Estado criam fóruns onde a seus cidadãos pode expressar livremente seus desafios, suas necessidades e expetativas, a função de servidor público ganha um novo sentido. Para Governantes, Embaixadores, Diplomatas o diálogo directo não deve ser encarado como um evento meramente protocolar, mas sim como um instrumento de trabalho.
A escuta atenta da diáspora permite que quem governa recolha dados reais para ajustar políticas, desburocratizar processos e resolver os problemas concretos daqueles a quem têm a missão de servir.
O recente encontro, realizado a 29 de Agosto, entre o Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, e a comunidade cabo-verdiana residente em Angola deixou uma lição fundamental sobre a governação democrática: a democracia só atinge a sua plenitude quando aproxima governantes e cidadãos.
Resultados concretos do diálogo continuado
A evolução reportada pela comunidade cabo-verdiana em Angola é prova viva do impacto destes canais abertos.
Durante o encontro, questões como a regularização da situação migratória em Angola, antes assunto de apelo à intervenção, estão esbatidas. Desde 2015, que os cabo-verdianos residentes em Angola viram esta situação atendida, através do empenho diplomático conjunto com o governo angolano.
Ainda, o acesso à Nacionalidade e Documentação e, apesar de persistirem nichos de desafios, a situação foi consideravelmente melhorada. O investimento na informatização dos serviços consulares garantiu que os cidadãos no exterior pudessem aceder aos seus direitos com dignidade e rapidez. A morosidade na emissão de passaportes e certidões cedeu espaço a processos mais célere e eficientes.
Um modelo de governação para o Mundo
O progresso observado ao longo dos anos demonstra que a resolução de problemas complexos não acontece por acaso; resulta de uma prática contínua e multisectorial de proximidade. E contínua, porque o mérito é de todos que trabalham pela nossa diáspora.
Ao garantir que os seus cidadãos na diáspora tenham voz activa, Cabo Verde reafirma que o exercício do poder público deve estar sempre ao serviço das pessoas, consolidando estes espaços de diálogo como um pilar essencial da dignidade democrática.
Coroado e aplaudido, durante o encontro foi a anunciada ligação aérea entre os dois países, que também é muito mais facilitada devido a isenção de visto entre os dois países.
Angola e Cabo Verde, sempre juntos.
Luanda 2026

