Apesar do progresso acumulado entre 2015 e 2023, nos últimos dois anos deste período Cabo Verde registou aumentos significativos da prevalência de subalimentação. Por outro lado, o país registou progressos na redução da pobreza extrema até 2022 e aumentou a cobertura por prestações sociais.
Os dados constam do Relatório Estatístico dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2015-2025, divulgado na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
No indicador que mede a proporção da população cuja ingestão alimentar habitual é insuficiente para satisfazer as necessidades energéticas alimentares mínimas, o relatório evidencia uma tendência geral de melhoria.
Contudo, depois de atingir o valor mais baixo da série em 2021, esta tendência foi invertida, passando o país a registar «aumentos significativos» da prevalência de subalimentação em 2022 e 2023.
«Apesar dessa reversão recente, a tendência de longo prazo (2015-2023) permanece claramente descendente, com uma redução de 3,1 pontos percentuais (p.p.) no período analisado.
A leitura global é, portanto, de progresso acumulado, mas com deterioração relativa no período final.
No período 2018-2024, a prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave apresentou uma melhoria geral, com uma redução de 41,1% em 2018 para 32,3% em 2024.
O melhor resultado foi registado em 2022. A partir desse ano, a prevalência conjunta da insegurança alimentar (moderada e grave) estabilizou-se, apesar de um aumento residual em 2024.
Quanto à prevalência da insegurança alimentar grave, apesar de se constatar uma diminuição de 2,5 p.p. entre 2018 e 2024, observa-se, a partir de 2020, um aumento gradual, atingindo o seu valor mais elevado do período recente em 2024, com 8,3%.»
Prevalência do atraso no crescimento
Quanto à prevalência do atraso no crescimento em crianças menores de cinco anos, os dados revelam um ligeiro aumento, passando de 11,8% em 2015 para 12,6% em 2024.
Por grupos, as crianças com menos de 24 meses apresentaram uma prevalência de 15,7% em 2015 e 12,8% em 2024, enquanto, entre as crianças com 24 meses ou mais, a prevalência do atraso no crescimento passou de 9,7% em 2015 para 12,5% em 2024.
Esta realidade é mais sentida no meio rural, onde o indicador passou de 11,2% para 13,6% no período estudado. No meio urbano, a variação foi de 11,3% para 12,1%.
Prevalência da malnutrição
A prevalência da malnutrição, seja por excesso de peso ou por desnutrição aguda, também é marcada por um comportamento irregular.
A prevalência do excesso de peso em crianças menores de cinco anos situava-se em 8,9% em 2015, tendo diminuído para 6,0% em 2018 e atingido o valor mínimo de 5,7% em 2019. Em 2022, entretanto, observou-se um aumento para 7,4%, seguido de um pico de 8,8% em 2023 e de uma nova redução para 7,4% em 2024.
Já a desnutrição aguda em crianças da mesma faixa etária foi marcada por «um agravamento significativo» no grupo de crianças com 24 meses ou mais e por aumentos menos acentuados entre as crianças menores de 24 meses.
«O indicador registou um incremento negativo entre 2015 e 2019, passando de 3,0% para 5,9%, seguido de uma contração positiva em 2024, quando a taxa se fixou em 4,0%. Entre crianças menores de 24 meses, passou de 3,7% em 2015 para 6,6% em 2019. Posteriormente, observou-se uma melhoria gradual até 2024 (3,0%)», lê-se no relatório.
O valor alcançado em 2024, segundo o INE, está próximo da meta global estabelecida pela Assembleia Mundial da Saúde, que é inferior a 3%. Contudo, a instituição considera que o comportamento da série histórica não permite afirmar que a tendência seja sólida, sendo fundamental manter o acompanhamento do indicador para avaliar o cumprimento da meta.
Natalina Andrade

