Em conferência de imprensa, realizada hoje, 26, na Embaixada de Cuba, em Cabo Verde, na Praia, o Embaixador, Turcios Esquivel López acusou os Estados Unidos da América de estarem a levar a cabo um “genocídio na ilha”, com as sucessivas novas sanções energéticas aplicadas. As mesmas, assegura, estão a ter consequências graves na vida do povo cubano. Nos dias 27 e 28 do corrente será o 35.º ano consecutivo em que será debatido e votado na Assembleia Geral da ONU o bloqueio norte-americano contra a ilha, tendo sido aprovado o fim do embargo nas 34 votações anteriores.
Turcios explicou que amanhã, 27, será apresentado nas Nações Unidas um projeto de resolução para pôr fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba e na quarta-feira, 28, será a votação. O projeto, conforme Turcios, foi apresentado pela primeira vez em 1992 e já foi votado e aprovado por 34 vezes, com Cabo Verde e África a votar sempre a favor do fim do embargo.
A novidade é que a Assembleia-Geral também vai “pronunciar através de uma resolução” sobre o bloqueio energético imposto por Washington desde janeiro, que interrompeu todas as importações de combustível para a ilha caribenha.
“Tenho a certeza que o projeto será aprovado novamente e será mais um passo e uma demonstração do repúdio do mundo contra os actos atrozes dos EUA contra o povo cubano e contra uma Nação soberana e independente”, sublinhou.
Embargo que dura há 60 anos
O Embaixador de Cuba em Cabo Verde asseverou que o embargo em que está mergulhado a ilha há mais de 60 anos é uma violação dos Direitos Internacionais e da Carta das Nações Unidas no que tange ao direito à soberania e independência.
Afirmou ainda que, apenas no último ano, o embargo provocou perdas de 8.030 milhões de dólares ao país caribenho.
Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se encontra atolado com a pior recessão económica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.
“Cuba é um país de paz e solidário, atualmente temos mais de 45 missões médicas pelo mundo e as mais recentes ações levadas a cabo pelos EUA são um verdadeiro genocídio ao povo cubano. Temos um antecedente com o que aconteceu em Gaza e hoje infelizmente querem fazer o mesmo com Cuba”, afirmou Turcios.
Bloqueio naval é um acto de guerra
Recorde-se que desde janeiro de 2026 que os EUA tem sancionado e proibido o envio de combustíveis a Cuba. Turcios diz que desde janeiro deste ano só um barco de combustível entrou na ilha, com escassas 100 mil toneladas e fruto de ajuda humanitária.
A falta de combustível tem afetado todo o funcionamento da ilha, segundo aponta, com consequências na alimentação do povo cubano, na produção cubana, com um cerco energético com consequências de efeito cascata, tentando “matar de fome o povo de Cuba”.
Turcios diz que inclusive a mortalidade infantil dobrou no país, depois do bloqueio naval. Apontou ainda que cerca de 25% do sistema energético atual é formado por painéis solares colocados principalmente em hospitais ou lar de idosos, para proteger a população mais vulnerável.
Bloqueio naval
Sobre o bloqueio naval, o Embaixador disse ser um “acto de guerra” e está a ser usado como parte de um esforço dos EUA para matar de fome o povo cubano.
“O bloqueio naval é um acto de guerra segundo as Nações Unidas. Quando são usados como parte de um esforço para matar de fome a população civil, são ilegais como parte de uma guerra de agressão ou quando são utilizados contra o povo. Nesse caso é um crime de guerra e potencialmente um crime contra a humanidade”, salientou.
Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, e o governo do presidente norte-americano Donald Trump vem intensificando a pressão, após ter recorrido aos militares em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Ameaças de invasão norte-americana
Segundo Turcios, Cuba leva “muito a sério” as ameaças de uma invasão norte-americana e diz que todos os fins-de-semana os militares e o povo cubano realizam manobras militares “com o objectivo de proteger Cuba, seu povo e sua independência”. O embaixador diz que Cuyba está pronta a se defender até as últimas consequências, e ciente do poderio militar dos EUA.
“Se fomos capazes de ajudar mais de 25 países no mundo a obterem a sua independência, também saberemos morrer em Cuba para defender a nossa soberania”, diz.
Cuba não pretende mudar de sistema político
A administração Trump já apontou que um dos caminhos para levantar o embargo é a mudança do sistema político em Cuba, para o regime democrático. Sobre isto o Embaixador disse que Cuba não pretende nem vislumbra uma mudança política e exemplifica que a última alteração à constituição do país, em 2019, foi aprovada por 86% da população e que o povo fez a sua escolha.
Turcios foi enfático em dizer que o povo cubano não quer o fim do regime que impera.
Cooperação com Cabo Verde
Sobre a cooperação com Cabo Verde, Turcios diz que a cooperação histórica, principalmente na saúde e educação está bem e continua fortalecendo. Aponta que estão neste momento em Cabo Verde cerca de 80 médicos nas 9 ilhas habitadas e com pedidos do Ministério da Saúde para que se traga mais.
Turcios diz ainda que Cuba tem mais de 24 mil médicos em 46 países do mundo.

