A Líbia enviou um navio mercante para ajudar um barco com perto de 100 pessoas que estava em dificuldades, levando o grupo para a cidade líbia de Misurata, informaram, esta segunda-feira, 21, fontes do Governo italiano.
Os migrantes que estavam no barco, localizado a cerca de 60 milhas da costa da cidade de Misurata, lançaram um pedido de socorro às 08H00 (hora de Cabo Verde), de domingo, 20.
O “Alarm Phone”, que administra uma linha telefónica disponibilizada para migrantes em dificuldade no Mediterrâneo, explicou que os migrantes enviaram o aviso aos centros de coordenação de resgate da Itália e Malta, mas que estes pediram para que se dirigissem à Líbia, responsáveis pelos salvamentos.
Durante o resto do dia não houve resposta e os migrantes relataram que estavam numa situação dramática e que várias pessoas tinham desmaiado e que inclusive uma criança tinha morrido.
Por volta das 21H00 (de Cabo Verde), tanto o Governo italiano quanto a Guarda Costeira responderam que as autoridades líbias estavam ocupadas com o auxílio a outras duas embarcações.
Os migrantes chegam, esta segunda-feira, 21, ao porto de Misurata.
O retorno de migrantes à Líbia foi descrito como uma violação de direitos por várias organizações humanitárias.
“O retorno de pessoas resgatadas em águas internacionais para a Líbia vai contra o Direito Internacional, já que, actualmente, não há porto seguro na Líbia”, disse Carlotta Sami, porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) para o sul da Europa.
Na sexta-feira, houve um naufrágio a 50 milhas da costa da Líbia e em que, pelo menos, 117 pessoas perderam a vida, segundo o depoimento dos três sobreviventes resgatados pela marinha italiana.
Esta situação ocorre no momento em que há apenas um navio humanitário, o “Sea Watch 3”, a patrulhar o Mediterrâneo, já que o navio da organização não-governamental “Open Arms” está bloqueado em Espanha pelas autoridades e o “Sea Eye” está em busca de um porto para a mudança de tripulação.
O “Sea Watch” resgatou 46 pessoas no sábado, 19, e ainda aguarda indicações para onde ir, já que não recebeu uma resposta de Itália ou Malta, que são os portos seguros mais próximos.
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