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Talento

Belmira Gonçalves, uma centenária lúcida e feliz

Belmira Lopes Gonçalves é uma anciã feliz, que acaba de comemorar um século de vida ao lado dos filhos, netos, bisnetos e trinetos. Apesar da idade, nha Belmira continua a ser uma mulher lúcida, saudável, capaz de lembrar e contar todas aventuras e peripécias da sua vida. Um facto que a leva a agradecer e rogar a Deus por mais tempo de vida.
Belmira Lopes Gonçalves nasceu a 17 de Outubro de 1914, no concelho de São Filipe, ilha do Fogo. E veio para Santiago com apenas cinco anos e foi residir em Monte Novo, em João Gotó, concelho de São Lourenço dos Órgãos, onde passou toda a infância e juventude.
Aos 100 anos, Belmira mostra-se uma mulher feliz por poder comemorar esta linda data ao lado dos filhos, netos, bisnetos e trinetos. Pessoas que elege como os melhores tesouros que ganhou de Deus. A anciã conta que teve sete filhos, entre os quais um par de gémeos, fruto de um casamento, e duas uniões de facto. E hoje já conta com 52 netos, 95 bisnetos e 10 trinetos.
Conforme a centenária, muitas pessoas dizem que, pela aparência, ela não aparenta ter 100 anos, um facto que lhe deixa orgulhosa. Belmira revela que o segredo foi ter uma boa alimentação e pouca vaidade. “Eu sempre cuidei do meu corpo, comi muita cachupa de milho de terra com manteiga de vaca, feijão, fava e congo”.
Ao longo desses anos, Belmira conta que já foi aos Estados Unidos da América três vezes visitar familiares, mas também à Holanda, França e Itália. E está a preparar-se para uma nova viagem aos EUA, desta feita, para ir tratar uma dor no peito que vem sofrendo, ultimamente. Belmira revela ainda que ela consegue reconhecer os números e ligar os familiares filhos que estão no estrangeiro quando a saudade lhe aperta no peito.
1947, pior ano de uma longa vida
Apesar de atingir um século de vida de forma lúcida e saudável, Belmira afirma que a sua infância e juventude não foi fácil. Cresceu sem conhecer a mãe, porque esta viajou para Guiné-Bissau, quando ela tinha apenas um ano de idade e nunca mais voltou, perdeu o pai quando tinha apenas sete anos. E, ainda por cima, perdeu um filho e o companheiro em 1947 e teve que criar os filhos sozinhos.
“No final de 1947 tive que deixar São Lourenço para vir residir na cidade da Praia. Na altura, eu tinha três filhos e, por infelicidade, um deles e o pai acabaram por morrer nesse ano. Não por causa da fome, mas sim devido a uma doença. Meu filho, Mário, por causa de uma intrite; e o meu pai de filho por causa de uma ferida que tinha num dos pés que acabou por infectar, levando-o à morte. 1947 foi o ano e o momento mais difíceis de toda a minha vida. A partir daí tive que batalhar duro para criar os meus filhos. Graças a Deus consegui”.
Apesar das dificuldades, Belmira sente-se feliz pelo facto de hoje os filhos estarem todos bem-sucedidos na vida. “Sacrifiquei bastante para criá-los e educa-los, mandando-os à escola. Inicialmente, trabalhei como empregada e mais tarde decidi ir vender no mercado do Platô. E aí eu vendia latas de sardinhas e de leite, canecas e garrafões. Mais também vendia grogue debaixo do balcão, apesar de ser proibido na altura. Chegava a vender cerca de cinco litros de grogue por dia”.
Roga a Deus mais anos de vida
Apesar de sofrer de diabetes, esta centenária afirma que, graças ao apoio dos filhos, tem conseguido fazer consultas de forma regular. E por isso diz que ainda sente-se firme e pede Deus vida e saúde para continuar gozar do conforto que hoje tem junto dos filhos e demais familiares.
“Hoje estou feliz e desejo que Deus me dê mais alguns anos de vida celebrar com os meus filhos porque na juventude não gozei nada. Estou feliz por poder dividir este momento com os meus filhos, netos bisnetos, amigos. E sinto muito amada por eles.
Juventude desobediente
Belmira considera que os jovens de hoje não estão a ouvir os conselhos dos mais velhos. “Eu gosto de aconselhar os jovens porque, apesar de tudo, não passei bem na minha juventude. Mas, infelizmente, eles não escutam a voz da experiência. Falar com eles é como apanhar água com binde, entra por um lado e sai pelo outro. Se por acaso escutassem os mais velhos não teríamos tantos problemas de violência e filhos sem pais na rua”.
Conforme Belmira, hoje maior parte dos rapazes não têm nada para dar a uma mulher a não ser filhos. Por um lado, porque não há trabalho e por outro também porque há muita irresponsabilidade de ambas as partes.
“Os rapazes não devem ver mulher apenas porque tem saia vestida (ou calças porque hoje praticamente usam mais calças do que saias), mas sim pelo seu carácter. E as meninas, por sua vez, não devem escolher homem pela marca da roupa que usa e nem bens que tem. Devem pensar em unir para construir juntos”, conclui.
SM
 

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