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Cultura

Cem obras dos Rabelados em exposição inédita no Mindelo

“Rabelarte – Consciência e Transição” é o nome de uma exposição inédita da comunidade dos Rabelados de Espinho Branco, ilha de Santiago, que abriu as portas esta terça-feira, 11, na loja “Capvertdesign + Artesanato do Mindelo”. São 100 obras entre pintura e cerâmica que contam, através da arte, a história desta comunidade tão suigeneris.
É a primeira viagem artística dos Rabelados de Santiago ao Barlavento, mais precisamente à ilha de São Vicente. A ideia de levar uma exposição à cidade do Mindelo partiu de Françoise Ascher, jornalista francesa a residir em Cabo Verde e proprietária da loja “Capvertdesign + Artesanato do Mindelo”, que só vende artesanato e peças originais de Cabo Verde.
A ligação de Ascher aos Rabelados é antiga, assim como o seu interesse pela investigação sobre a cultura, a história e o modo de vida dessa comunidade de Espinho Branco, em Santiago. Em 2010 a jornalista, agora também empresária, lançou o livro “Os Rabelados de Cabo Verde – história de uma revolta”. Agora a história repete-se de certa forma, não através da escrita, mas sim através da arte.
SUSTENTABILIDADE ATRAVÉS DA ARTE
Ao todo 100 obras, de nove artesãos e artistas dos Rabelados dão corpo à exposição, que, segundo Misá, artista plástica e dinamizadora dessa comunidade, vão de encontro à premissa de que a arte é e pode ser um dos pilares da “sustentabilidade da comunidade dos rabelados”.
A exposição enquadra-se no 1º aniversário da loja em questão e, de acordo com a nossa entrevistada, reveste-se de extrema “importância” para os Rabelados enquanto artistas, “porque é a primeira vez que participam numa exposição desta dimensão”, só sobre a comunidade. Ademais, é uma oportunidade de “inúmeros artistas que visitam a loja poderem adquirir os seus produtos e conhecerem a originalidade desta comunidade”, destaca Misá.
“Rabelarte – Consciência e Transição” convida o público a uma viagem pela história e cultura desta comunidade da ilha de Santiago, num contacto intimista através da cerâmica e pintura.
Ascher e Mizá salientam ainda que a exposição vai mais longe e acaba por revelar “como a comunidade de Espinho Branco renasceu através da arte contribuindo para o enriquecimento do património cultural de Cabo Verde”.
A mostra, que ficará patente até dia 29, contará com a presença de Tchetcho, actual chefe da comunidade dos Rabelados e do pintor Fico, para além de Misá, na inauguração. Aliás, dia 12, no âmbito do FONARTES, que decorre pela mesma ocasião no Mindelo, ambos participarão numa conferência.
FUTURO
Os projectos de Françoise Ascher para os Rabelados de Espinho Branco não ficam por aqui, e parte das suas obras deverão encabeçar uma delegação de artistas para participar em Março de 2015, em França, numa feira onde Cabo Verde se fará representar.
Uma projecção vista com bons olhos por Misá, sobretudo tendo em conta que a comunidade carece de verbas e apoios para finalizar parte de algumas obras “do projecto de sustentabilidade dos rabelados” que incluiu “um museu tradicional, o tecto de uma cozinha para potenciar gastronomia local, uma praça de artistas, para vender não só obras dos rabelados, como de outros artistas de Santiago e da ilha do Maio”.
Misá aguarda o cumprimento de algumas promessas de apoio, mormente do Ministério da Cultura e do Ministério do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território, para completar as obras.

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