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Cultura

A SINA DA MULHER-VULCÃO

Aqui estou eu e toda a minha vida
Ensacada nesta trouxa onde me sento
Aqui estou vergada sob os meus 66 anos anos
Tendo já nas minhas rugas corrido
Muitas lavas de carência dor sofrimento!
Aqui estou de braços cruzados sem um rumo
Sem um arrimo em que me apoie…
Já não corro
Prenderam-se-me os músculos das pernas
Já não grito
Calou-se-me a voz na garganta
Já não choro
Secaram-me as lágrimas nos olhos
Já não penso
Paralizou-me o cérebro
Já não creio
morreu-me a fé
Também já não espero
Esvaziou-se-me a esperança
E agora, já nem temo
A fúria das lavas que tudo me roubou…
Aqui estou eu presa nesta cratera
SÓ…
Para trás deixada
Despiritada
Alquebrada de forças
De tudo despojada
Aniquilada
Qual mulher de Sodoma
Petrificada
Sem uma brecha de saida
Aqui encurralada
Contemplo um Horizonte
Sem horizonte
Sonho uma Vida
À qual já não tenho acesso
Anseio por uma Morte
Que já nem sequer me mata
Cumpro um Destino
Que não escolhi…!
 
(Em solidariedade com a minha gente)
Viriato Gonçalves,
Novembro 24  de 2014
 
 
 
 

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