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Economia

Regime cambial dependerá da evolução da economia – Governador do BCV

O novo governador do Banco de Cabo Verde (BCV) disse esta segunda-feira que a manutenção de paridade fixa do escudo cabo-verdiano face ao euro vai depender da evolução positiva da competitividade da economia do país.
João Serra, que falava na cerimónia de tomada de posse como novo governador do banco central cabo-verdiano, sublinhou ser, por isso, “imperativo” a redução dos custos de contexto à realização de negócios em Cabo Verde e o aumento da produtividade tendencial.
“Isso só será possível com a correção dos desequilíbrios ainda existentes e na reestruturação de setores e empresas”, referiu, considerando que a qualidade das instituições também é decisiva para atrair investimento direto estrangeiro e acelerar o processo de crescimento.
“Por outro lado, o nosso regime cambial pressupõe mecanismos de ajustamento do lado da economia real, por forma a assegurar a sua sustentabilidade, pelo que se coloca ao país o desafio de superação qualitativa dos constrangimentos estruturais ao seu crescimento económico, no sentido do aumento do peso dos bens e serviços transacionáveis”, sustentou.
Indicando que a paridade fixa da moeda cabo-verdiana em relação ao euro é um objetivo da política monetária, o antigo ministro das Finanças cabo-verdiano defendeu, porém, que se trata do regime “mais adequado” a uma economia aberta e pequena como a cabo-verdiana.
“O regime económico vigente no país, assente na estabilidade monetária e cambial, requer uma política orçamental que lhe seja consentânea, isto é, caracterizada pelo rigor, disciplina e sustentabilidade”, prosseguiu João Serra, considerando que se impõe uma “estreita cooperação” entre o Governo e o BCV.
No seu discurso de tomada de posse, o ex-presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas de Boavista e Maio (SDTIBM) disse que a política monetária cabo-verdiana deverá garantir a estabilidade dos preços sem, no entanto, inibir a realização de negócios.
Sobre o sistema financeiro, indicou que consiste fundamentalmente no sistema bancário, pelo que “carece de dinamização e de sofisticação”.
“Com efeito, persistem enormes dificuldades de acesso ao crédito. As taxas de juros continuam elevadas, mesmo num contexto de muito baixa inflação” e de uma política monetária favorável ao investimento, sugerindo “maior abertura e diversificação” do sistema financeiro a outros operadores, para tornar o setor “mais competitivo e concorrencial”.
João Serra traçou como desafios internos a estruturação do fundo de pensões do BCV, a melhoria da situação financeira, capacitação dos colaboradores e melhoria do clima laboral.
Também quer contribuir para o reforço da supervisão do mercado e aperfeiçoar os meios e instrumentos de intervenção e de acompanhamento das instituições supervisionadas, criar mecanismos de garantia dos depósitos e normas de resolução de crises bancárias.
O novo governador do BCV, nomeado pelo Governo a 16 de dezembro, é doutorado em Economia pela Universidade de Berlim, foi presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e Administrador não Executivo Caixa Económica de Cabo Verde.
Fonte: Lusa
 
 

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