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Cultura

A casa mais enfeitada de São Vicente

Árvore de Natal, estrelas, presépio, motivos musicais, tudo cabe na decoração que António “Sancha” Neves reveste literalmente a sua casa, quase todos os anos, por altura da quadra festiva. Uma despesa e tanto que diz fazer por gosto, mas que no entanto já ganhou alguns fãs que vêm de outras paragens a Chã de Alecrim, só para ver a casa mais enfeitada de São Vicente.
São cerca de 17 metros quadrados de fios e milhares de lâmpadas usados para revestir a casa de três pisos,  que fica, toda ela, cintilante basta que chegue a época do Natal. Um “pequeno” investimento que dá satisfação ao proprietário António Sancha, que o faz sem esperar pelo reconhecimento das autoridades.
“Faço-o por prazer, só para ver a minha casa alegre e também alegrar o meu espírito. E Já que não bebo, não fumo, não frequento boîtes, este é o meu vício onde gasto o meu dinheiro”, explica este ancião de 81 anos.
Uma autêntica obra de arte onde incluem árvore de Natal, presépio, estrelas, símbolos musicais e tantas outras figuras que são encrementados a cada ano e que já  ganharam alguns fãs, que deslocam-se de propósito de outras zonas para Chã de Alecrim para ver e registar o jogo de luzes. “Até já ouvi um senhor, vindo da ilha de Santiago, dizer que se pudesse comprava a casa logo com as luzes, mas eu respondi que então teria que ser comigo dentro, porque eu não me separo dela nem por todo o dinheiro do mundo”.
Pena que seja não todos os anos que esses admiradores podem deliciar-se com esse “espectáculo”,  isto porque, apesar dessa decoração ser feita há cerca de 10 anos, tem havido alguns interregnos devido aos períodos em que António Sancha está ausente, nos Estados Unidos da América (EUA). Quando assim acontece não faltam reclamações de várias pessoas que dizem estar a casa e a zona tristes.
SEM RECONHECIMENTO
Embora contando com algumas ajudas, grande parte dos enfeites são pensados e feitos pelas próprias mãos de António Sancha. Este que, apesar da idade (que não transparece), não deixa de colocar a mão na massa para encrementar o seu “empreendimento” com mais originalidades. Nesse meio existem até imagens para o presépio que foram resgatadas no EUA e abençoadas na igreja local.
Uma criação singular que ainda não teve o reconhecimento da edilidade, apesar dos prémios atribuídos no concurso “zona mais enfeitada”, em que Chã de Alecrim já ganhou algumas vezes. Por outro lado, também não merece o apoio dado pela Electra nessa altura.
“Fui uma vez pedir, mas a resposta que tive de um engenheiro é que só podem doar electricidade ao centro da cidade e que os subúrbios não têm direito. No entanto,  não entendo o porquê, já que toda gente consegue ver que os subúrbios são os que contribuem muito mais para os bolsos da Electra”, afirma contrariado.
Uma falta de reconhecimento que no entanto não faz António Sancha desistir de aumentar mais uns contos à sua conta de electricidade, para poder dar uma alegria a si mesmo, mas também às outras pessoas que ficam a deliciar-te com tamanho feito.
HUMANITÁRIO
Contudo, não é de hoje que António Sancha pratica acções que trazem pessoas de outras zonas a Chã de Alecrim. Isto já acontecia quando ainda emigrante na Europa, nos anos 60, trazia filmes em bobines que projectava na rua, para toda gente ver e sem cobrar ingressos. E que nalgumas vezes foi aproveitado para angariar fundos para a construção da escola da zona e também do edifício do clube local, Falcões do Norte.
Também nestes últimos anos, embora aposentado e dividindo a sua vida entre Cabo Verde e EUA, Sancha não esquece do lado humanitário e traz sempre na mala roupas e materiais escolares para distribuir. O pacote inclui ainda materiais para o Centro de Saúde de Chã de Alecrim.
Assim se caracteriza esse boavistense, tornado sanvicentino desde um ano de idade, e por isso conhecido por quase toda a gente em São Vicente. “Alguns me conhecem pelo meu lado tocador, cantor, ou de conquistador e até briguento. Mas sobretudo pela honradez”.  Vários atributos para este amante de dois clubes do coração, Mindelense, onde jogou, e Sport Lisboa e Benfica, em Portugal, este último de que tem o emblema estampado na parede da sua casa, em grande plano.

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