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Economia

BCV: Serra tenta “fumar cachimbo da paz” com os trabalhadores

O clima laboral no Banco de Cabo Verde, que esteve ao rubro nos últimos meses do consulado de Carlos Burgo, parece estar agora mais calmo com o novo governador, João Serra. Sem receitas suficientes, o banco central vem acumulando resultados negativos e a situação líquida, neste momento, inspira alguma preocupação.
Mal foi empossado governador do Banco de Cabo Verde, João Serra elegeu como prioridade a resolução imediata dos problemas internos, de natureza laboral. Isto como forma não só de conhecer os constrangimentos e os anseios dos trabalhadores, como também adoptar medidas corretivas, no sentido de restabelecer a estabilidade consentânea com a de uma instituição que deve passar uma imagem de credibilidade a todos os níveis.
Estando apenas duas semanas à frente do BCV, João Serra diz que ainda não tem o conhecimento cabal da situação laboral nas Galerias, mas presume que, pelo número de reclamações e processos pendentes no tribunal, e também pela auscultação que vem fazendo, o clima laboral “não é o mais adequado”, mormente, para uma instituição com a importância e a natureza do BCV, enquanto banco central.
“Imbuído de uma atenção especial que se deve dar aos recursos humanos, a nossa primeira iniciativa, nessa matéria, foi fazer uma reunião foi fazer uma reunião com todos os trabalhadores do banco, que proporcionou um espeço de diálogo com os trabalhadores”, disse ao A NAÇÃO.
Para João Serra, a referida reunião com os trabalhadores possibilitou, desde logo, a oportunidade de se apresentar os princípios relevantes da sua gestão enquanto governador do BCV. “Tem a ver com o princípio de igualdade de tratamento dos trabalhadores, com a transparência e objectividade das medidas que serão tomadas, com a justa compensação, ou seja, nem todos devem ser compensados da mesma forma”, sublinhou.
Serra deixou claro, também, a adopção de princípios de gestão da coisa pública, porque, tratando-se de um património de todos, “o BCV tem de ser bem gerido”.
SITUAÇÃO FINANCEIRA DO BCV
No mesmo encontro, soube o A NAÇÃO, João Serra fez uma radiografia da situação financeira do BCV, que tem tido dificuldades com a realização de receitas.
“Por causa de vários factores, entre os quais, a dificuldade com as receitas relacionadas com a aplicação das reservas externas, o BCV tem tido dificuldades com a realização de receitas para custear as suas próprias despesas de funcionamento. Sem receitas suficientes o banco central vem acumulando resultados negativos e a situação líquida, neste momento, inspira alguma preocupação”, explica.
Esta situação de quebra de receitas obriga, segundo no novo governador do BCV, a adoção de uma atitude de “maior contenção e de mais parcimónia na gestão dos recursos que são afetos ao banco”, ressalvando, no entanto, que “não vamos mexer nos direitos adquiridos dos trabalhadores”.
FUNDO DE PENSÕES
A questão relacionada com as pensões foi também abordada, porque, segundo João Serra, é preciso criar um fundo próprio, tendo em conta que o BCV tem encargos “avultados” com os seus actuais pensionistas e reformados.
“Haverá mais encargos no futuro, certamente; porque vários colaboradores deverão ainda passar à reforma no quadro do regime privativo de segurança social do BCV, mas não existe um fundo de pensões”, esclarece. “É importante que tenhamos esse fundo e mais cedo, melhor, sob pena de se chagar, hipoteticamente à uma altura o banco poderá não estar em condições de poder honrar os seus compromissos”, conclui João Serra, como alerta.

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