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Economia

JMN aposta na recuperação da zona euro

O primeiro-ministro José Maria Neves considera que decisão do Banco Central Europeu (BCE) em injectar 60 mil milhões de euros por mês na zona euro poderá provocar a retoma da economia europeia. Este facto, por sua vez, pode produzir um efeito “muito positivo” na economia cabo-verdiana, a braços com um crescimento anémico.
A zona euro vai receber uma importante injeção de dinheiro novo. De acordo com o presidente do BCE, Mário Draghi, a instituição vai fazer “compras combinadas” de 60 mil milhões de euros por mês de Março de 2015 até, pelo menos, Setembro de 2016. Fala-se num total de 1,14 biliões de euros, esperando com isso os responsáveis europeus a retoma do crescimento na Europa.
A ideia do BCE é comprar aos bancos a dívida pública e privada que estes têm no seu balanço, esperando depois que essas instituições emprestem mais dinheiro à economia, designadamente às empresas. À partida, o BCE espera reactivar o consumo, fazendo subir a inflação (que hoje é negativa. menos 0,2% na zona euro) para cerca de 2%.
JMN ESPERANÇOSO
O chefe do Governo cabo-verdiano mostra-se optimista com uma tal operação, tendo em conta a dependência profunda de Cabo Verde com a Europa. Para ele, ao se injectar mais recursos que contribuíram para o aumento da demanda agregada na Europa, Cabo Verde pode também ganhar, “e muito” com isso. “A retoma poderá ter impactos muito positivos na economia cabo-verdiana, designadamente, no domínio dos investimentos directos estrangeiros”, apontou como exemplo.
Em relação ao turismo, JMN diz que o sector “continua a crescer”, mas admite que a injeção de dinheiro novo na Europa pode contribuir, igualmente, para o aumento do fluxo turístico em direcção a Cabo Verde.
Contudo, para que a injecção financeira do BCE possa ter o impacto desejado em Cabo Verde são necessárias medidas para a melhoria do ambiente de negócios, do ambiente fiscal, assim como a desburocratização da máquina administrativa. Esta tem sido de resto a principal reclamação dos operadores privados cabo-verdianos que ainda na semana passada voltaram a encontrar-se com o primeiro-ministro, reiterando as suas queixas que não são de hoje.
PROGRAMA SEM FINAL DEFINIDO
O programa anunciado pelo BCE começa em Março deste ano, sem que haja uma data de referência para o seu final. Este alívio monetário, ou quantitative easing (QE), ficará activo até a inflação se encaminhar para a fronteira inferior dos 2%.
Mario Draghi sublinhou que a medida visa aproximar a taxa de inflação na zona euro dos 2%, bem acima da média de 0.3% prevista para os próximos cinco anos. “Do nosso ponto de vista, não temos dúvidas que este é o momento para agir”, afirmou Draghi, esclarecendo que a Grécia também faz parte deste programa, à semelhança dos restantes países da zona euro, apesar da ameaça de Atenas em sair do euro.
Como era esperado, os mercados financeiros receberam este anúncio com uma descida do valor do euro face ao dólar e também dos juros da dívida europeia, nomeadamente a portuguesa, italiana e espanhola.
Para o BCE, a medida anunciada – combinada com um novo corte nos juros dos empréstimos à banca comercial para 0.05% – vai permitir a descida das taxas de juro e o estímulo da economia, recuperando o consumo através da subida da inflação. Com isso pretende-se também reduzir o desemprego.
Mas Draghi alertou que esta nova injeção de dinheiro do BCE não poderá servir para os governos alterarem as suas políticas fiscais, na linha do que tem sido defendido pelo governo alemão. Ou seja, com a austeridade a dominar as políticas em cada Estado e à falta de investimento e de consumo, esta medida do BCE corre o risco de ter o mesmo destino das anteriores.

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