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Cultura

Nóia acusa Vindos do Oriente de desonestidade

O artista Fernando “Nóia” Morais acusa o Vindos do Oriente de usar outra pessoa para executar um projecto da sua autoria, que ainda nem lhe foi pago. Mas a presidente do grupo carnavalesco, Lili Fortes, afirma que só trata do assunto após a festa do Rei Momo.
O enredo “Primavera do Faraó” que o Vindos do Oriente leva ao sambódromo na próxima terça-feira já causa polémica. Isto porque o artista Nóia, que no ano passado esteve naquele grupo, reclama a propriedade desse projecto, que diz ter feito há 12 anos. Tanto assim é que diz que o inclui entre os trabalhos da sua autoria que devem sair neste Carnaval 2015, juntamente com o de Samba Tropical e o do Cruzeiros do Norte.
“Em 2003 encontrei-me com a dona Lili (presidente do grupo) em Portugal e ela pediu-me que fizesse um projecto porque tinham sido injustiçados e queriam ganhar no próximo ano. Estava ali como estudante e passei as minhas férias a concebê-lo”, conta Nóia, antes de acrescentar que o projecto só não saiu do papel naquela época porque Lili Fortes adoeceu e daí o grupo esteve algum tempo inactivo.
No ano passado, quando o grupo voltou à ribalta, Nóia confirma que o enredo estava para se mostrar nas ruas do Mindelo, só que ele mesmo entendeu que este precisava de algumas actualizações e optaram por apostar noutro. “Agora, como tivemos um desentendimento, apanharam o meu projecto deram à outra pessoa, sem sequer me consultar. Mas posso dizer tudo o que está a ser construído, até porque sou eu que ainda tenho a memória descritiva. O pior de tudo é que ainda nem me pagaram pelo trabalho”, acusa Nóia, mostrando-se muito revoltado com a situação.
A NAÇÃO contactou a presidente do Vindos do Oriente, que afirma desconhecer “os termos como o Nóia está a colocar o problema”. No entanto, Lili Fortes adianta que só vai cuidar desse assunto depois que o Carnaval passar, até porque já recebeu uma carta do Nóia e entregou à sua advogada para a analisar.
Outro dos implicados nessa matéria é Manú Rasta, o artista que está a executar o projecto, o mesmo com quem Nóia também se mostra revoltado por não ter falado com ele, antes de assumir tal responsabilidade. Contudo, Manú Rasta defende não tem nada a ver, uma vez que o assunto deve ser tratado entre o Vindos do Oriente e o Nóia.
Por outro lado, Manú não assume a autoria do projecto inicial que lhe foi entregue pelo grupo, contudo, admite que tenha sofrido algumas modificações. “O que recebi foram alguns desenhos monodimensionais, que eu e o Bitu tornamos tridimensionais. Também tivemos que fazer algumas actualizaçãoes”. Depois disso assegura que o projecto de Nóia está totalmente diferente e com coisas “nunca antes vistas no Carnaval mindelense”.
DESILUDIDO
Por estas e outras razões, Nóia afirma estar desapontado com o trabalho no Carnaval. “Eu costumo perguntar às pessoas se alguma vez me viram no palanque, na rua de Lisboa, não porque nós artistas somos totalmente esquecidos, uma autêntica falta de respeito pelo nosso trabalho”, desabafa.
Por causa dessa falta de reconhecimento, este artista, que labuta nos estaleiros desde pequeno e que se fez profissional com grupos de grande nome de outrora,  deverá aposentar-se muito em breve da festa do Rei Momo. “Para mim, Carnaval tornou-se numa tremenda canseira, que agora só faço pela compensação financeira. Posso dizer que estou totalmente desiludido, decepcionado e revoltado”.
Nóia critica ainda as autoridades por “não terem visão” para apostar nessa forma de arte, que poderia trazer “muito dinheiro” para São Vicente.

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