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Política

Inquérito sobre qualidade da democracia confirma queda de confiança nos políticos e nas instituições

As instituições da República estão neste momento “menos credíveis” comparativamente a três anos atrás, esta é a principal conclusão do Inquérito sobre qualidade da democracia e da governação em Cabo Verde, cujos dados são apresentados hoje, na Praia.
Segundo José Semedo, director-geral da Afrosondagem, que realizou o Inquérito, este registou que houve “perda generalizada de confiança” nas instituições e isso se reflecte na avaliação da satisfação dos cabo-verdianos em relação ao nível de democracia no país.
O sociólogo afirmou que, praticamente, todas as instituições ficaram menos bem avaliadas, destacando-se o partido do poder, PAICV, o primeiro-ministro, a Assembleia Nacional, os partidos da oposição e a própria Presidência da República.
Esta, explicou, “perdeu menos do que as demais instituições, mas também viu a sua credibilidade diminuída comparativamente a três ou seis anos atrás”.
José Semedo acredita que os cidadãos estão hoje mais cientes dos seus interesses e que, provavelmente, essa descredibilização das instituições seja uma forma de mostrar o seu descontentamento em relação a certas práticas políticas, que precisam ser revistas, caso os políticos queiram ganhar novamente a confiança nas eleições de 2016.
O director-geral da Afrosondagem acredita, entretanto, que a juventude apresenta o maior índice de insatisfação, principalmente porque um dos principais problemas do país é o desemprego e são os jovens os mais afectados.
Admitiu que o inquérito deste ano apresenta dados que “devem ser levados em consideração”, tanto pelos decisores políticos, nomeadamente o Governo, a Presidência da República e o Parlamento, como pelas instituições académicas e a própria sociedade civil.
Na sua visão, os dados reflectem aquilo que os cabo-verdianos pensam não só relativamente aos agentes políticos, mas também em relação à questão económica, ao mesmo tempo que avaliam a participação dos próprios cidadãos.
É claro que a crise tem o seu papel nessa apreciação, dado que afecta o desempenho económico do país, confirmou José Semedo, ao reconhecer que este, por sua vez, afecta o dia-a-dia dos cidadãos, ou seja, o seu poder de compra, “corroendo, portanto, o seu salário e criando mais problemas em termos de desemprego.
“Tudo isso acaba por afectar as famílias e, num momento de crise, as pessoas tendem a ser menos simpáticas nas suas avaliações relativamente às acções dos políticos”, lembrou.
Instado se isso vem dar razão ao movimento cívico MAC#114 contra o aumento dos salários e regalias para os políticos aprovado em sede do estatuto dos titulares de cargos políticos, José Semedo afirmou: “bem-haja esse movimento”.
Lamentou, contudo, que essa não seja uma prática “corriqueira” na sociedade cabo-verdiana, que precisa ser mais activa e mais participativa em momentos como este, mas tem esperança que o movimento cívico seja o anúncio da nova era em termos de participação dos cidadãos fora dos quadros eleitorais.
Quanto ao aumento de 64% do vencimento dos políticos, José Semedo entende que “há necessidade sim. Agora, há que analisar seja a oportunidade, seja as consequências em termos de disparidades sociais que ele irá trazer e como é que isso irá ser colmatado para que não haja ainda mais diferenças sociais”, defendeu.
Em Cabo Verde, a equipa da Afrobarómetro, que é uma rede de pesquisa não-partidária em 35 países africanos, é liderada pela Afrosondagem, que já realizou inquéritos similares em 2002, 2005, 2008 e 2011, sendo este último referente a 2014, com base em 1.200 entrevistas cara a cara junto dos indivíduos em agregados familiares escolhidos aleatoriamente.
Fonte: Inforpress

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