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Política

BAD/Presidência: As expectativas de Cabo Verde não foram realizadas – director da campana

O director da campanha de Cristina Duarte para a eleição a presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse que os resultados conseguidos pela candidata de Cabo Verde foram uma surpresa e que algumas expectativas não foram realizadas.
Em declarações à Inforpress, para fazer o balanço da candidatura da ministra das Finanças e do Planeamento à liderança do BAD, José Brito declarou que, na primeira volta, quando Cabo Verde conseguiu posicionar-se atrás da Nigéria (25%) com 24,5%, pensava que haveria margem para progredir.
“Na nossa estratégia, tínhamos esperado que os votos dos países da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, em inglês Southern Africa Development Community) pudessem evoluir muito rapidamente para Cabo Verde, mas isso não aconteceu”, explicou.
Lembrou que a posição deste bloco foi manter o seu candidato do Zimbabwe durante quatro rondas e que, após a saída deste, não transferiu o seu voto para Cabo Verde, que esperava apoio por parte de Angola e Moçambique.
Segundo o antigo ministro das Relações Exteriores, a migração do seu voto daria uma dinâmica nova à candidatura cabo-verdiana e mais confiança aos outros que votaram na Cristina Duarte, dado que o bloco do Norte ficou com a Tunísia.
Ainda que tenham vencido as dinâmicas dos interesses geo-políticos que apoiaram outros candidatos, José Brito considerou “bom” o resultado conseguido pela governante cabo-verdiana em finalizar esta corrida em terceira posição, depois do Chade e da Nigéria, que venceu.
Explicou que a eleição ficou pela quinta ronda porque era preciso viabilizar o processo para não criar um impasse.
“A Nigéria também é um país da CEDEAO e sempre dissemos que íamos facilitar para que um candidato da sub-região ganhasse”, justificou.
E pelas felicitações que afirma ter recebido, não tem dúvidas: “a nossa ministra foi de longe melhor na entrevista do que todos os outros candidatos e toda a gente acreditou, de facto, que ela tinha as melhores ideias, o melhor programa para o BAD e que era o que o banco necessita”.
Admitiu, contudo, que as posições quanto à transformação da instituição, ou seja, as grandes reformas propostas pela candidata de Cabo Verde, poderão ter ameaçado determinados interesses.
Neste ponto, felicitou e agradeceu a equipa da candidatura, integrada por pessoas de várias latitudes, pelo trabalho abnegado e voluntário feito por Cabo Verde, durante os últimos meses, e com os poucos recursos de que dispunha.
Agradeceu, igualmente, à Cristina Duarte por ter aceite entrar na corrida para a presidência do BAD, por ter contribuído para a grande projecção internacional que esta candidatura deu ao país e para a elevação do debate com base em projectos para o BAD e para a África.
Enalteceu, por outro lado, que a ministra cabo-verdiana se engajou neste projecto não por ela, mas por Cabo Verde e pela possibilidade de colocar as suas competências ao serviço da transformação do continente africano.
Cristina Duarte foi a única mulher, até hoje, a concorrer à presidência do BAD em 50 anos de existência e fê-lo juntamente com mais sete homens e José Brito não sabe até que ponto esse facto terá contribuído para a sua não eleição, dado que houve uma região cujos representantes afirmaram não estar preparados para ter uma mulher a governar a maior instituição financeira africana.
O actual ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Nigéria, Akinwumi Adesina, tornou-se, hoje, o oitavo presidente do BAD, devendo, a partir de Setembro, assumir o posto ocupado, nos últimos 10 anos, pelo ruandês Donald Kaberuka, que tinha sido eleito com 78% dos votos.
Fonte: Inforpress

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