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Cultura

“Uma escuridão bonita” resgata a simplicidade do teatro

Num espectáculo simples, no qual a falta de luz e poucos recursos não são problemas. Assim se apresenta “Uma escuridão bonita” do grupo português UmColetivo. Essa peça que quer tocar as crianças através do imaginário, com a actriz Cátia Terrinca a incorporar os três personagens da história.

“Uma escuridão bonita” está apoiada em três alicerces –simplicidade, amor e sentidos – e a partir disso conta a história de um simples beijo. “O palco sagrado das conversas eram dois: na varanda ou no quintal. Testemunhos: os mosquitos e os morcegos. Banda sonora: alguma televisão com som alto a dar bonecos ou telenovela. Se não houvesse luz? Brincadeira gritada de Cinema Bu, todos contra todos, nas vozes de descrever os filmes que ainda não tínhamos visto”, como se anuncia o projecto.

Uma forma encontrada pelo grupo português UmColetivo, apoiado no texto do angolano Ondjaki, para tornar o teatro “um lugar escurinho e mágico”, onde vale a imaginação dos mais pequenos e que resgata a intimidade. “Queremos um teatro com cheirinhos e sabores, que fique bem perto e consiga abraçar. Por isso, faremos esta história muitas vezes, em jeito de teatro íntimo de uma actriz para um grupo pequeno de crianças de cada vez”. Daí ser a bilheteira para cada apresentação limitada.

Tudo isso com uma única actriz, Cátia Terrinca, que dá corpo a três personagens –  aliás, três vozes, a Avó Dezanove, o miúdo-Romeu e a  miúda-actriz –, apresentados através de fantoches que brilham no escuro. “Mais pequenos que os miúdos, mas que criam sombras enormes e assustadoras”. Afinal, a ideia do grupo será “brincar com a escala das coisas e com a luz própria de cada uma delas”.

Um espectáculo voltado para a realidade dos mais pequenos. Contudo, através da brincadeira, pretende, entre outros objectivos, desenvolver o gosto pela  partilha de estórias, explorar a falta de recursos como a ausência de luz, para trabalhar num teatro que “não exibe nem ostenta”.

Pretende, também, provocar a maravilha com coisas simples. Por outro lado, provar que a partir de um texto poético se podem colocar questões relevantes, como o problema social de falta de luz e da gestão dos recursos, e ainda fazer abordagens sobre a invenção da lâmpada, a luz eléctrica e as revoluções na história da humanidade, bem como nos estudos astronómicos.

“Uma escuridão bonita” que será uma estreia mundial.  Segundo Cátia Terrinca, a peça foi criada a pensar na Mostra de Teatro Infantil do Mindelo (MOTIM), marcado para este fim de semana  – 5, 6 e 7 de Junho. “Foi com a ideia de ser um espectáculo especial, que fique na memória, por brincar com sensações e com a proximidade com a audiência. Assim como queremos que este MOTIM fique na memória também”, afirma a actriz, que, juntamente com Ricardo Boléo, fundou UmColetivo, em 2013.

Este grupo que cria espectáculos na ausência da figura clássica do encenador, investindo em processos de trabalho assentes na relação íntima e directa entre dramaturgia e interpretação, e que esteve em São Vicente, em 2013, com a peça ´”Éter”. Agora volta para mostrar a pequenada que “o escuro, às vezes, não é falta de luz, mas a presença de um sonho…”

MOTIM quer criar mais alternativas de divertimento para as crianças

Marcado para este fim de semana (sexta, sábado e domingo), a Mostra de Teatro Infantil do Mindelo (MOTIM) quer levar às crianças de São Vicente novas opções culturais. A ideia, conforme a directora artística da Trupe Pará Moss (TPM) – grupo organizador do evento – , surge “da falta de actividades culturais voltadas para o público infantil”. Uma carência que precisava ser colmatada, como adianta Janaína Alves.

Daí que esta primeira edição, que em princípio estava programada para uma semana, mas devido a poucos apoios e a dificuldades dos grupos de São Vicente em montar as peças infantis, acabou por ser encurtado para este fim de semana: 5,6 e 7 de Junho.

MOTIM conta com quatro espectáculos: com “Uma escuridão bonita”,  de UmColetivo, como peça de abertura do evento e que terá duas apresentações no mesmo dia. A restante da programação fica a cargo de grupos sanvicentinos, como o do Centro Cultural do Mindelo, que leva aos palcos uma nova versão do “Blimundo”. Tem lugar, ainda, “o Principezinho”, projecto com as crianças carenciadas de Ribeira de Craquinha e “Os Saltimbancos”, que finaliza o cartaz e recriado pela TPM, depois de, em 2011,  ter sido apresentado pelo grupo Sarrom.com.

Estão ainda agendadas outras actividades paralelas como jogos tradicionais, contadores de estórias e pinturas faciais. Uma alternativa de divertimento neste Junho, mês da criança, que se pretende repetir em outras edições, mas que neste ano custa aos pais um preço simbólico de 200 escudos a cada espectáculo, ou, ainda, uma caderneta de 600 escudos que permite a total entrada no MOTIM.

LN

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