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Política

Embaixadores de nova vaga

Tânia Romualdo (Pequim), Jacqueline Pires Ferreira (Berlim), Daniel Oliveira (Havana), Carlos Semedo (Luxemburgo) e Felino de Carvalho (Bissau) são os novos embaixadores de Cabo Verde a designar e que em breve mudam de pouso. Realce também para António Nascimento, antigo chefe dos SIR, que passa a número dois da embaixada em Washington.
A anunciada dança de diplomatas, prevista por este jornal em Abril passado, começou já a efectivar-se, na linha do preconizado pelo ministro das Relações Exteriores, Jorge Tolentino, e os seus colaboradores do MIREX, em São Vicente, há um mês.
Da nova vaga de embaixadores, a grande surpresa vai para Tânia Romualdo, neste momento directora de Gabinete do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, para substituir Júlio Morais, em Pequim, China.
O até agora segundo homem em Washington, Daniel Oliveira (Nhela de Puldina), vai ser colocado em Havana, Cuba, como embaixador. Para o seu lugar na capital dos EUA segue António Nascimento, até há pouco tempo director-geral do Serviço de Informação da República (SIR). Esta nomeação já saiu, de resto, no Boletim Oficial.
Na mesma senda, ou dança, está Jacqueline Pires Ferreira, designada para substituir a sua colega Cristina Pereira, que não aqueceu a cadeira em Berlim, Alemanha, alegadamente, por razões pessoais e de saúde.
Ainda na Europa, mais concretamente no Luxemburgo, avança Carlos Semedo, actualmente director-geral dos Assuntos Globais do MIREX. A decisão de nomear um embaixador nesse pequeno país, importante parceiro deste arquipélago, foi anunciada aquando da visita do grão-duque Henri Guillaume a Cabo Verde, em Março último.
Felino de Carvalho, antigo cônsul-geral de Cabo Verde em Roterdão, Holanda, é o primeiro “representante exclusivo” deste arquipélago em Bissau. Carvalho é, actualmente, inspector-geral diplomático, e com a sua escolha cumpre-se, também, um compromisso da cidade da Praia com o executivo de Domingos Simões Pereira, há já algum tempo, para um estreitar efectivo de relações entre os dois países, ligados pela história e laços de sangue, mas que nunca passou de intenções, em grande parte, por via da instabilidade crónica no país-natal de Amílcar Cabral.
De referir que todos os nomes designados são diplomatas de carreira, quase todos da “nova geração”, que, pela primeira vez, vão exercer funções de embaixador. Contactado via telefone, a partir de Joanesburgo, África do Sul, onde participa na cimeira da União Africana, Jorge Tolentino confirmou, no essencial, os dados recolhidos pelo A NAÇÃO.
Para ele, trata-se praticamente de um “render da guarda”, numa altura em que o país completa os seus 40 anos da independência, recorrendo “apenas” a quadros formados a nível da política externa. “Trata-se de uma opção consciente, no sentido de valorizar os nossos quadros. Ao fim de 40 anos de independência, o MIREX dispõe, actualmente, de recursos humanos que nos permitem fazer esta aposta”, garante.
Esta distribuição de diplomatas surge do recente encontro com os embaixadores, dirigentes e quadros do Mirex, no Mindelo, ocasião em que Jorge Tolentino deixou entender, para breve, a indigitação de “Ambassadors at large” para as questões do Mar e do Ambiente, tendo em conta a premência destas matérias para a fase actual de desenvolvimento do país. Um outro ponto forte dessa estratégia visa, também, uma diplomacia mais virada para negócios e não apenas para a captação de ajuda para o desenvolvimento.
RODA-VIVA NO MIREX
Esta movimentação abrange ainda um bom número de outros diplomatas e funcionários administrativos, o que já é visto como uma “autêntica roda-viva” no MIREX. É também ponto assente que Jorge Tolentino tem partilhado com os colaboradores mais próximos a ideia de acelerar o preenchimento de alguns postos em África, a começar por Abuja (CEDEAO), mas também Adis Abeba, Etiópia, sede da União Africana.
Até porque, como ficou provado com a candidatura de Cristina Duarte à presidência do BAD (Banco Africano de Desenvolvimento), este arquipélago precisa ter uma presença mais forte, caso não quiser ficar à margem da “geopolítica” do continente a que faz parte.
LISBOA, 40 ANOS
Numa outra frente, mais concretamente Portugal, para breve está a nomeação de um cônsul-geral em Portugal, uma velha reivindicação em vias de encontrar resposta.
Lisboa vai, de resto, celebrar o 5 de Julho com a residência do embaixador totalmente renovada. O último a morar no palacete do Restelo foi Onésimo Silveira. Fechado, a clamar por obras, esse património encontrava-se em degradação avançada, enquanto o Estado pagava avultada renda de casa para alojar o embaixador, neste caso Madalena Neves.
Lisboa vai ser, também, o centro das comemorações do 40º  aniversário da independência de Cabo Verde, a nível da Europa, com um “programa variado e de grande qualidade”. Por exemplo, está prevista uma conferência internacional na Fundação Calouste Gulbenkian, com participantes de várias origens e quadrantes, além de investigadores, em parceria com a Associação Cabo-Verdiana.
NOVO ESTATUTO
Uma outra novidade na “Frente Externa” é a publicação no Boletim Oficial (de 13 de Junho) do novo Estatuto do Diplomata, “o qual representa um ganho enorme para a carreira, resolvendo de uma assentada pendentes de há largos anos. Foi elaborado e aprovado em tempo record e é saudado pela generalidade dos diplomatas”, acredita Jorge Tolentino.

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