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Política

Santo Antão: MpD relança aeroporto para legislativas 2016

O MpD vai lançar a debate, no próximo dia 18, a ideia de se construir um aeroporto em Santo Antão para potencializar as valências turísticas e económicas daquela ilha. Mas trata-se de um assunto que divide opiniões, tanto que o antigo ministro da economia, Osvaldo Lopes da Silva, considera um “disparate” projectar aeroporto internacional para cada uma das ilhas.
O debate sobre o aeroporto acontecerá no quadro da conferência “Santo Antão – ganhar os desafios da próxima década”, durante a qual o MpD pretende receber “inputs” para perspectivar o desenvolvimento de Santo Antão. Sabe-se que gentes ligadas àquele partido defendem um aeroporto de médio porte que propicie a ida de turistas e homens de negócios a Santo Antão, sem a necessidade de desembarcar no Aeroporto “Cesária Évora”, em São Vicente,  para depois fazer a ligação via marítima.
Outros defendem mesmo um aeroporto internacional, que poderia projectar o desenvolvimento turístico e económico, à semelhança do que aconteceu com a Boa Vista, a partir da abertura de uma infra-estrutura que recebe voos internacionais.
Mas, o primeiro ministro da Economia de Cabo Verde, de 1975 a 1986, considera “um disparate a toda a linha”  cada ilha pensar num tipo de infraestrutura aeroportuária dessa dimensão. Osvaldo Lopes da Silva argumenta, no número anterior deste jornal, alusivo aos 40 anos da Independência, que os governos têm de ter a coragem de dizer “não” ao povo, assim como ter sentido para não assumir aquilo que “a economia condena”. O antigo governante prefere, nesta altura, ver Cabo Verde a apostar em ligações inter-ilhas, com barcos melhores para cargas e passageiros.
Já a autarca do Porto Novo, Rosa Rocha (PAICV), defende que Santo Antão, para já, não precisa de um aeroporto internacional, mas sim de um aeródromo que permita a ligação rápida da ilha com as outras regiões turísticas de Cabo Verde, nomeadamente, Sal e Boa Vista. Em declaração à Inforpress, a edil não deixa de reconhecer, ainda assim, que uma infraestrutura aeroportuária, mesmo de pequena dimensão nessa fase em que os recursos não abundam, ajudaria a “Ilha das Montanhas” a dar um salto no seu desenvolvimento.
Existem argumentos prós e contra de vários quadrantes. O certo é que, desde 2010, o Governo anunciou um estudo preliminar sobre a construção de um novo aeroporto para Santo Antão, no quadro de um debate feito a partir da década de 1990, quando o aeródromo da Ponta do Sol deixou de receber voos de aviões comerciais. O estudo viria a apontar a zona entre Casa de Meio e Ponte Sul, a sete quilómetros da cidade do Porto Novo, como possível localização dessa infra-estrutura. E agora o assunto deve entrar em pauta no ciclo eleitoral de 2016.
Ensino superior também
Outro assunto que o MpD deve levar a debate é a abertura ou não de institutos ou escolas de Ensino Superior em Santo Antão. Este dossiê também divide opiniões, na medida em que há o argumento de que o Ensino Superior voltado para a agricultura, agro-indústria e outras áreas afins poderia propiciar o desenvolvimento da ilha. Mas há quem se mostre contra a dispersão de estruturas universitárias a todos os contos do país porque a qualidade sairia a perder.
Seja como for, o MpD convidou um conjunto de personalidades ligadas a Santo Antão para projectar o desenvolvimento da ilha, no horizonte 2016 a 2020. O presidente do partido, Ulisses Correia e Silva, vai a Ribeira Grande dar o mote ao debate, que passa por diagnóstico, visão, desafios e prioridades que o MpD projecta para a próxima década. Depois entrarão em cena conferencistas como o edil da Ribeira Grande, Orlando Delgado, Jorge Santos, Felismina Reis, Leão Lopes,  João Chantre, Albertina Pinto (Santantão Art Resort) e  Valdemiro  “Vlú” Ferreira.
O debate a ser promovido em Santo Antão, no próximo dia 18, enquadra-se no ciclo “Cabo Verde UP”, que constitui uma “plataforma criada pelo MpD para promover o diálogo com a sociedade civil, no país e na diáspora e com os especialistas de todo o mundo, seja utilizando as novas tecnologias de comunicação e informação, seja promovendo os canais presenciais e directos”.

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