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Cultura

“Sinos de silêncio, canções e haicais”, novo livro de Corsino Fortes

O poeta e presidente da Academia Cabo-verdiana de Letras, Corsino Fortes, já tem pronto o seu mais novo livro. “Sinos de silêncio, canções e haicais”, assim se chama. E, como o nome indica, o autor de Pão & Fonema, recorre aos versos breves e curtos, “importados” do Japão.
“Sinos de silêncio, canções e haicais” é assim que se chama o próximo livro, o quarto da sua bibliografia, que Corsino Fortes irá colocar no mercado dentro em breve.
Trata-se de um livro de poemas, que o autor pretende ser uma ruptura com o “cânone” surgido com Pão & Fonema, em 1974, livro esse que “revolucionou” a poesia cabo-verdiana desde então.
“Sinos de silêncio, canções e haicais” é um projecto que há muito Corsino Fortes vem trabalhando, principalmente numa forma de poesia que descobriu e tem sido em cima dele que tem construindo as suas histórias – o haicai (expressão poética japonesa). Alguns desses poemas já foram, de resto, publicados pelo autor na sua página do Facebook, causando a maior surpresa entre os seus admiradores.
Segundo o filho de Corsino Fortes, o livro que tem a chancela da Rosa Porcelana vai trazer cinco grandes poemas e cerca de 50 haicais. “O haicai é uma forma de poesia japonesa que o meu pai tem-se dedicado ultimamente”, afirmou Corsino Alberto Fortes (filho). “Dentro de duas ou três semanas ficará pronto. O livro já se encontra na gráfica”, diz.
O “Sinos do silêncio” foi criado numa viagem que Corsino Fortes realizou ao Brasil. O poeta, que tinha estado em Santo Antão, disse que ficou “tão deslumbrado” com a beleza do Topo de Coroa que queria escrever um verso sobre o que tinha sentido. Foi no meio da viagem que o poema tinha finalmente chegado. “Sinos de silêncio/ ressoam no eco da abóboda/ memórias que sonham/”.
Corsino Fortes já tinha mostrado interesse em publicar o livro por altura das comemorações dos 40 anos da independência de Cabo Verde, e  todo o trabalho em volta está a ser feito para que tal aconteça.
A obra traz ainda 14 fotografias preparadas pelo filho e por alguns amigos. “Fizemos inserção de fotografias. O meu pai deu-me carta branca para fazer todo o trabalho”, afirmou ainda o filho.
Depois de sair da gráfica, Corsino Alberto Fortes disse que será feito todo o processo de divulgação para dar a conhecer o novo trabalho do pai.
Enquanto o livro não sai, alguns haicais de Corsino Fortes podem ser lidos na sua página oficial de facebook. O último a ser publicado tem como título “Riola”. “Konde koladêra/P’di batuk pá casament/Funaná dzufná/”.
Fazer haicais, segundo Corsino Fortes, não é tarefa fácil, uma vez que tem que se encontrar as metáforas certas.
PRÉMIO MERECIDO
O “Prémio Literário 40º Aniversário da Independência” foi entregue esta semana a Corsino Fortes. No valor de 500 mil escudos, a distinção é uma iniciativa da Academia Cabo-verdiana de Letras (ACL), financiada pelo Banco Comercial do Atlântico (BCA).
Corsino Fortes não pôde estar presente na entrega do prémio, por questões de saúde, mas enviou o filho que transmitiu o seu agradecimento e a a homenagem que se seguiu no acto, presidida pelo primeiro-ministro José Maria Neves.
A vice-presidente da ACL, Vera Duarte, lamentou a ausência e o momento difícil por que passa o autor de “Pão & Fonema”. “Não queríamos que fosse assim”, disse. “O prémio é dele, ele merecia-o há muito tempo, é uma coincidência bonita que seja no quadragésimo aniversário da independência, mas, por outro lado, é uma pena que ele não possa estar aqui connosco e ver a homenagem que lhe rendemos do fundo do coração, e é uma pena que ele não esteja, efectivamente, nas melhores condições  de saúde”.
Vera Duarte fez ainda questão de esclarecer que a atribuição do Prémio Literário 40º Aniversário da Independência”, que esta enquadrado no “Prémio Literário BCA”, criado em parceria com a ACL, nada tem a a ver com o estado de saúde do vencedor. “É pela obra, pela projecção, por aquilo que tem feito pela cultura cabo-verdiana, por ter sido um dinamizador  da criação da ACL, é, no fundo, pela vida e obra”.

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