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Economia

Ministra Eva Ortet admite: Praga de mil-pés “sem solução à vista”

Há cerca de 30 anos que Santo Antão e São Vicente vivem a braços com a praga de mil-pés, que ataca produtos agrícolas. Agricultores dessas duas ilhas dizem-se cansados de esperar por uma saída definitiva que, segundo a ministra Eva Ortet, continua “sem solução à vista”.
A praga de mil-pés continua a devastar a produção agrícola de Santo Antão e São Vicente. A ministra do Desenvolvimento Rural, Eva Ortet, admite a impotência, dizendo que não há solução à vista para erradicar ou fazer diminuir, de forma considerável, a praga que começou por instalar-se Santo Antão, em 1984, propagando-se de seguida a São Vicente. Por causa disso, essas duas ilhas passaram a viver sob embargo, como forma de evitar que a referida praga pudesse propagar-se a outros ponto do país.
Neste ano, o MDR reactivou a campanha de sensibilização do combate contra a referida praga. “Como há algum tempo não fizemos campanha de sensibilização, decidimos este ano retomar esse tipo de acção para não hipotecarmos os investimentos feitos até este momento na agricultura com a mobilização da água”, diz Eva Ortet.
Volvidos quase trinta anos do embargo, adoptado em 1984, mais recentemente o Governo aprovou o Decreto-Lei nº 41/2010, publicado no B.O. nº 3, de 27 de Setembro, permitindo que produtos de Santo Antão possam ser exportados, “exclusivamente para as ilhas do Sal e Boa Vista”. Isto porque, ainda o diploma, em virtude de a produção agrícola dessas duas ilhas ser fraca e o controlo fitossanitário ser mais fácil do que noutros pontos de Cabo Verde, por exemplo, Santiago.
AGRICULTORES DESANIMADOS
Passados cinco anos da aprovação daquele diploma e dois da criação do Centro Pôs-Colheita, no Porto Novo, os produtos agrícolas de Santo Antão (e São Vicente) continuam com preços altos, agravados com dificuldades de ligação marítima entre aquelas ilhas e Boa Vista e Sal.
“É complicado”, desabafa Adriano da Cruz, agricultor do Paul. “Seria muito bom para Santo Antão se o governo colocasse fim ao embargo, mas, por outro lado, as outras ilhas correriam o risco de serem afectadas por essa praga. Deve-se reunir mais esforços para acabar com a praga e, depois, colocar fim ao embargo”.
Hélder Évora, da Procana, Ribeira Grande, também segue pelo mesmo diapasão daquele seu conterrâneo. “Seria bom se acabassem com o embargo, mas não queremos que a praga de mil-pés se espalhe. O Governo tem de encontrar uma solução porque esta situação de estrangulamento em que nos encontramos não pode continuar”, afirma.
Eva Ortet descarta por completo uma solução definitiva, a curto ou mesmo médio prazo, conforme disse ao A NAÇÃO, na altura da III Feira Internacional do Agronegócio. No máximo, deixou a entender, restam medidas como a campanha de sensibilização sobre a dita praga, com produtos químicos, mas também orgânicos.
“O INIDA neste momento está a trabalhar com uma técnica sobre o uso e prevenção de um predador para combater, mas os resultados ainda não são nada concretos, mas vamos continuar. Estamos a fazer parceria com o Quénia que é um país com praga, há troca entre os investigadores mas vamos ver se conseguimos debelar esta praga, mas Santo Antão continua a produzir muito, continua a exportar a transformar e é isso que nos interessa”, atesta.
QUARENTENA VEGETAL
Osvaldo Maurício, engenheiro do MDR em Santo Antão, disse também ao A NAÇÃO que os agricultores dessa ilha já se acostumaram à praga de mil-pés. “O combate a ela está a ser retomada pela Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Vamos fazer alguns trabalhos, nomeadamente, quarentena vegetal”, afirma.
Enquanto isto acontece, os agricultores dizem-se limitados na produção, venda e, consequentemente, na sua vida económica. “No meu caso tenho uma propriedade de mandioca e batata-doce e, nas épocas em que os mil-pés são em maior número, boa parte da produção não serve para a alimentação e venda. Quero apostar na produção de hortaliças mas, com a praga, não creio que seja uma boa ideia”, finaliza Adriano da Cruz.

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