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Depois de Portugal: França vai ter Consulado-Geral

À semelhança do que acaba de acontecer com Portugal, Cabo Verde vai criar, ainda este ano, um Consulado-Geral em França, mais concretamente em Marselha, para responder aos inúmeros problemas por que passa a nossa comunidade nesse país europeu. Esta é uma das várias medidas que o Ministério das Relações Exteriores (MIREX) pretende lançar, no quadro da nova política externa e rede diplomática que tem em curso.
Cabo Verde vai, pela primeira vez, nos seus 40 anos de independência nacional, passar a ter uma rede diplomática fixada através de um quadro legal. A ideia é, com isso, os órgãos que lidam com a política externa – Presidência da República e Governo – saberem com o que devem contar.
Um decreto-lei deve ser submetido, em breve, ao Presidente Jorge Carlos Fonseca, conforme revelou ao A NAÇÃO o ministro Jorge Tolentino, que esta semana empossou vários diplomatas dentro desse esforço de modernização. Ao discursar no acto, esse governante sublinhou, precisamente, a necessidade de o país passar a ter diplomatas capazes de suar a camisa, em vez de se limitarem a ver o tempo passar, sem qualquer beneficio para o Estado que representam.
Com a nova rede de diplomatas, à partida, pretende-se colmatar certas carências a nível da política externa, o que passa pela designação de novos representantes, em moldes não clássicos.
Assim, segundo aquele governante, dentro dos espaços a cobrir, constam certos países do sul do continente africano (África do Sul, Moçambique, Namíbia e Botswana), ou então, organizações como a União Africana (Adis-Abeba) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO (Abuja, Nigéria).
Ainda no que toca à África, a cidade da Praia vai passar a fazer-se representar por um embaixador em São Tomé e Príncipe, uma velha ideia que acaba de sair do campo das intenções, tendo em conta a numerosa comunidade de cabo-verdianos nesse país do Equador. Isto porque a criação desse posto foi estes dias publicada no Boletim Oficial.
A pensar também na comunidade cabo-verdiana, à semelhança do que acaba de acontecer com Portugal, Cabo Verde vai passar a ter um Consulado-Geral em Marselha, França. “Com isso respondemos a uma velha reivindicação da nossa comunidade, que deixa de ter que se deslocar a Paris sempre que tem problemas consulares a resolver”, diz Tolentino.
“A nível da Ásia pensamos estar presentes num outro país que não a China”, avança Tolentino, sem deixar de apontar a Singapura como um dos pontos que mais interessam Cabo Verde, a par do Japão, Malásia e outros. “A nossa ideia é cobrir melhor a Ásia”, sublinha.
EMBAIXADORES ITINERANTES E TEMÁTICOS
Ainda no esforço de modernização da sua diplomacia, o MIREX vai criar “embaixadores itinerantes” e “temáticos”. Os itinerantes, como a designação deixa a entender, não terão residência no país de acreditação, devendo deslocar-se a esses postos sempre que necessário. Em mira estão países como a Rússia e algumas monarquias do Golfo Pérsico. E para os embaixadores temáticos, também não residentes, pensa-se em domínios como o mar, o ambiente e as energias renováveis.
Ainda na busca de uma melhor representação externa, a cidade da Praia conta, igualmente, pôr de pé uma rede de adidos, especialmente, para os sectores dos negócios e defesa e segurança, neste caso, “sobretudo marítima”. Aqui, o Brasil, a Espanha, os EUA e Angola são alguns parceiros já identificados para esse tipo de representação.
Enfim, diz Jorge Tolentino, “estamos a fazer a ruptura com o modelo clássico de representação diplomática, para um novo mais moderno e consentâneo com as nossas ambições e meios”.
Questionado se o momento é o mais adequado para uma tal mudança de paradigma, isto tendo em conta que estamos a poucos meses das próximas eleições legislativas, Jorge Tolentino é peremptório: “A representação externa de Cabo Verde não é um problema de Governo, é, acima de tudo, um problema de Estado, logo, essa é uma questão que não se coloca”.

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