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Sociedade

Associações, modos de usar

Ninguém sabe ao certo quantas associações comunitárias colaboraram na feitura das listas de pensionistas, mas onde actuaram deixaram marcas negativas, pois, conhecendo a realidade das respectivas zonas, não fizeram a filtragem para evitar casos acima descritos. Na prática, criou-se uma ratoeira para a qual as instituições do Estado deixaram-se levar e agora o CNPS (Centro Nacional de Pensões Sociais) corre para tentar enxugar a lista de pensionistas.
Mas as marcas negativas das associações não se cingem aos tentáculos que ajudaram a colocar no fundo de pensões. Muitos dos seus dirigentes, movidos por ambições pessoais, ou alinhados com políticos e partidos políticos, desviaram-se dos caminhos de servir o colectivo e deixaram rastos de dívidas e mazelas nas próprias comunidades.
Um dos casos mais emblemáticos é a “falecida” ou “moribunda” Organização das Associações de Desenvolvimento Integrado de Santo Antão (OADISA). Chegou a ter escritório próprio na Ribeira Grande, funcionários e a gerir milhares de contos mobilizados para as cerca de 70 Associações de Desenvolvimento Comunitário (ACDs), membros dessa organização, implementarem projectos nas respectivas comunidades.
Muitas dessas associações comunitárias foram criadas por incentivo de políticos na década de 1990 quando o MpD era governo e alguns dirigentes associativos ajudavam aquele partido nas suas comunidades. Reconhecendo o impacto dessa política de aproximação através dos dirigentes associativos, assim que retorna ao poder, em 2001, o PAICV tratou de se aproximar também das associações e começou também a tirar vantagens políticas das mesmas.
Através de projectos financiados, sobretudo, pelo então Ministério de Ambiente e Agricultura, as ditas associações passaram a implementar projectos de tal monta que não raro autarcas como Jorge Santos, na altura edil da Ribeira Grande, em Santo Antão, e o seu sucessor Orlando Delgado vieram a público reclamar da “promiscuidade” e do “esvaziamento” do poder municipal porque os ministérios privilegiavam o financiamento dos projectos da OADISA.
 

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