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Sociedade

Hospitais com segurança deficiente

Internos do Hospital Agostinho Neto (HAN), na cidade da Praia, queixam-se de roubos e furtos que acontecem dentro da enfermaria. A falta de segurança e de vigilância, à noite, faz com que alguns percam dinheiro, telemóveis e outros artigos. Com menos gravidade, o quadro repete-se no Hospital João Morais (Santo Antão), ao passo que no Hospital Santa Rita Vieira (Santiago Norte) não há registo de furtos ou roubos.
Não bastassem os motivos que levam alguém a ficar a internado num hospital, os utentes do HAN, na Praia, queixam-se de roubo de dinheiro, telemóvel e outros produtos e objectos.
Rita Vaz, internada semanas atrás, teve de exigir a presença de policiais porque, a meio da noite, sentiu um vulto por cima dela. A sombra, segundo contou ao A NAÇÃO, pertencia a uma outra interna que estava a fazer uma “limpa” às outras companheiras de quarto. “Eram cerca de duas horas quando acordei com um vulto por cima de mim. Como não tinha os óculos, pensei que fosse alguém que estava a ir à casa de banho”, conta.
Foi depois que se apercebeu que alguém estava a roubar, aproveitando-se do sono pesado dos internados. “A mim essa pessoa roubou-me 20 mil escudos e telemóvel, e, às outras pessoas, dinheiro, carteira, e também telemóvel. Fez isso também em outros quartos”, relata.
Rita Vaz conta que, diante de tal facto, chamou pelas enfermeiras de serviço, mas àquela hora ninguém lhe respondeu. “Desaparecem todas. Se precisarmos de uma ajuda, para qualquer coisa, ou até um medicamento, ninguém nos socorre”, critica.
Rita revela que só depois de muito barafustar é que as enfermeiras acabaram por aparecer, mesmo assim, “não quiseram chamar a polícia”. Instalada a confusão, “e depois de muito exigir”, as enfermeiras acabaram por chamar o polícia de plantão para averiguar o caso e só depois disso foi accionado o piquete.
E, quando o piquete chegou, Rita denunciou o caso, dizendo que uma das internas lhe havia roubado dinheiro, telemóvel, que escondeu. “Ela negou mas apertei-a até confessar. Com isso, ela acabou por levar os polícias até onde tinha os pertences roubados. Depois, foi presa a uma cama até ser encaminhada para a esquadra”.
Rita Vaz questiona como é que um hospital como o HAN não tem segurança ou vigília para a enfermaria, uma vez que muitos dos internos ficam vulneráveis, com o risco de verem seus pertences roubados. Segundo relata, não é a primeira vez que acontecem situações do género.
“Já presenciei pessoas que foram trazidas por polícias fugirem pela janela, além de outros relatos de roubo. A partir das 22 horas, qualquer pessoa pode entrar e fazer o que quiser no HAN. Como pode ser?”, questiona.
TIR
Contactado, o comandante da Brigada Anti-Crime (BAC) da Praia, José de Pina, confirmou o caso ao A NAÇÃO, dizendo que a pessoa em questão, depois de acusada de furto, foi encaminhada para o tribunal, tendo ficado sobre Termo de Identidade e Residência (TIR). “O piquete recuperou os objectos roubados, num valor de 29 mil e 900 escudos e ainda 40 euros. A autora do crime, de nome Naiva, foi ainda encontrada na pose de estupefacientes”. Naiva, segundo a mesma fonte, é uma conhecida da polícia. “Tem algumas passagens por furto e roubo”, diz.
De acordo com a mesma fonte da BAC, tirando esse episódio, não há muitas ocorrências por furto ou roubo no HAN. “Cerca de cinco por ano”, contabiliza. “Já fomos chamados por roubo de objectos, material hospitalar, feito inclusive por funcionários”, acrescenta.
O nosso interlocutor diz ainda que o HAN tem “alguma vulnerabilidade” no que toca à segurança e já houve presos, que foram levados ao hospital, que, em dois tempos, acabaram por escapulir pela janela. “Mas nem sempre saem pela janela”, complementa.
Contactamos o HAN, através da secretaria, para saber mais informações sobre o caso e sobre a acusação de falta de segurança, mas fomos informados de que o pedido foi encaminhado para a direcção e que aguardavam resposta. Até o momento, o HAN não se manifestou.
 

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