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Sociedade

Perla Negra: Elementos da PJ com declarações contraditórias

O julgamento Perla Negra foi retomado nesta terça-feira, 3, em Mindelo, ouvindo testemunhas da Polícia Judiciária (PJ) via vídeo-conferência.
Só nesta manhã foram ouvidas seis testemunhas ligadas à polícia Judiciária que se encontram neste momento na ilha de Santiago, entre estes o inspector José Neto que participou da operação e respondendo a questões do advogado de defesa, Félix Cardoso, acabou por relevar alguma contradição na versão que vem sendo defendida pela PJ local.
Relatando que estivera no grupo que montara vigilância na Baía das Gatas, juntamente com mais dois inspectores e o inspector-chefe, Rui de Pina, acrescentou que estes foram avisados pela equipa que estava posicionada em Salamansa, constituída pelos inspectores Cátia Lima e Ricardo Cruz, que o barco que fizera o descarregamento seguia viagem para a baía do Porto Grande.
Uma declaração que José Neto que decidiu manter mesmo confrontado pelo advogado Félix Cardoso que a inspectora Cátia Lima estivera no local do crime, no dia da reconstituição, e garantira ao Tribunal que do ponto onde estavam, não conseguiam vislumbrar qualquer praia de Salamansa. “Mas eles nos disseram sim que o barco ia para a baía”, respondeu José Neto.
Outra das testemunhas ouvidas hoje e que revelou alguma instabilidade no seio da polícia científica foi o antigo director regional da PJ em São Vicente, André Semedo, que confirmou a relação de amizade com o arguido Alexandre “Xand badiu” Borges, desde 2012, embora já se conhecessem antes. Reconheceu saber que Xand badiu dedicava ao comércio de produtos importados, como batata e cebola, e que fazia a venda de carros usados, mas que no entanto nunca soube de nenhum caso na PJ envolvendo o seu amigo, nos oito anos que esteve em São Vicente.
André Semedo confirmou que soube da operação “Perla Negra” na véspera e assim chamara ao seu gabinete o inspector-chefe da brigada de combate à droga, Rui de Pina, para lhe por ao corrente dos factos, contudo, notou alguma reticência da parte do referido inspector e somente lhe pediu que quando fizessem a apreensão que lhe avisassem. Algo que como diz não aconteceu a mando o director-nacional adjunto da PJ, Paulo Rocha, que coordenou a operação a partir da Praia, com que André Semedo afirma ter “péssimas” relações desde 2011. “A lei obriga que eu fosse avisado, mas sabia que o doutor Paulo Rocha não ia fazer isso”.
Questionado por mais de uma hora, o antigo director, afirmou também ter encontrado com Xand à frente das instalações da PJ, por volta 15 horas do dia da apreensão, mas que tinham falado sobre coisas “banais” e que o comerciante estava embriagado. Depois, à noite encontrou-se com Xand por “poucos minutos”, perto das 21 horas, no Bar Estrela, já que os dois iam para o aniversário do amigo em comum, o inspector Rocha Afonso, em Ribeira de Craquinha.
Reafirmou que nunca soube do envolvimento de Xand no caso, só o soube quando este foi detido e que juntaram as fotos dos dois em frente às instalações depois que a apreensão tinha sido feita, e quem as colocou foi Paulo Rocha. “Mas isso foi uma artimanha para mostrar que eu enquanto chefe da Polícia Judiciária andava com um grande bandido, mas que disse que não era nenhuma novidade, porque outras pessoas também tinham e não foram apontados como culpados”.
O dia de hoje foi quase toda ela dedicada a audiência das testemunhas de através da vídeo-conferência, com excepção de uma mulher que foi a primeira testemunha a ser ouvida presencialmente no Tribunal de São Vicente, mas que não acrescentou muita novidade. Seguiu-se na segunda parte do dia ouvindo, através do mesmo meio, testemunhas na ilha do Sal. Nesta segunda-feira já tinham sido interrogadas as testemunhas vindas de Santo Antão.

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