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Economia

Monte Negro exporta aguardente para os Estados Unidos

A propriedade agro-pecuária Monte Negro é um caso de sucesso de exportação de produtos nacionais. Anualmente, a empresa tem conseguido colocar um contentor de aguardente, com 12 mil litros, no mercado dos EUA, um nicho com muitas potencialidades por explorar, tendo em conta o elevado número de cabo-verdianos que residem naquele país. A empresa quer agora criar condições para aumentar a exportação.
Criada em Agosto de 1966, no concelho de Santa Cruz, ilha de Santiago, a empresa Monte Negro labora no ramo de criação de animais (gado bovino), agricultura e produção de aguardente, comercializando os seus produtos em todas as ilhas do arquipélago, à excepção da aguardente que já consegue entrar no “difícil” mercado dos EUA.
A empresa produz uma média de 20 mil litros de aguardente, ao ano, e mais de metade, cerca de 12 mil litros, são enviados especificamente para o Estado de Massachusetts, onde é comercializada e consumida.
Mas o processo para chegar até aqui não foi fácil. Empregando 60 trabalhadores, e com um capital social de 2 mil e 500 contos, a Monte Negro teve de vencer um dos seus grandes desafios que era a construção de uma fábrica de aguardente, de raiz, para industrializar a produção. Além disso, como é sabido, a certificação da aguardente é outra das barreiras a ultrapassar, para quem quer colocar os seus produtos no mercado externo.
“Há determinadas normas que têm de ser cumpridas, não só ao nível do produto, como também em termos de embalagem e rotulagem. A empresa teve de submeter o aguardente à aprovação da Food an Drug Administration (FDA), que é o órgão que certifica a entrada dos produtos alimentares e farmacêuticos no mercado dos EUA. Esperamos quase um ano para obter o certificado. Mas, ultrapassando isso, não há grandes constrangimentos”, explica Manuel Amado, engenheiro agrónomo e sócio-gerente da Monte Negro.
Falta incentivos à exportação
Ultrapassados os constrangimentos iniciais, Amado não esconde que quer aumentar a exportação da aguardente, mas, para isso, tem de adquirir matéria-prima em outros produtores para poder aumentar a produção. “A nossa produção é insuficiente”, reconhece.
O empresário não é critico em relação às condições do mercado, e afirma até que em Cabo Verde “não há grandes dificuldades em exportar”, desde que as empresas “cumpram todos os trâmites legais”, tais como a licença de exportação e o certificado do país que vai receber o produto. No entanto, lamenta o facto de no país não haver incentivos à exportação. “O único incentivo é que os produtos exportados são isentos do IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado)”, diz.
Mas nem só da aguardente vive a Monte Negro, e conta até com um historial de exportação muito anterior ao grogue. É que entre 1988 e 1997, a empresa exportava banana para a Europa (Portugal e Alemanha), mas, devido aos constrangimentos com transportes, “não foi uma experiência bem sucedida”. Porém, o próprio Manuel Amado, reconhece que, agora, exportar banana não seria tão viável. “Pelo mercado crescente, ao nível do turismo, que temos em Cabo Verde, não há necessidade de uma exportação de banana”, justifica para acrescentar que isso só seria praticável se aumentássemos a produção “para poder exportar com valor acrescentado”.
Apostar na qualidade
Agora, um dos maiores projectos para o futuro da empresa é a introdução de estufas, ou seja, o cultivo de protegidos, e, também, agregar ainda mais valor ao produto grogue. “Temos de apostar na qualidade. Fizemos uma fábrica de raiz e estamos a aumentar a nossa capacidade de fermentação e destilação, para poder fazer aquisição de matéria-prima em outros produtores. Também estamos a aumentar a nossa área de cultivo que, neste momento, é de aproximadamente dois mil hectares, para aumentarmos a produção”, conclui Manuel Amado.
 
 

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