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Economia

Osvaldo Lopes da Silva: “Não se acautelou a transição da TACV para a vertente internacional”

Osvaldo Lopes da Silva, que foi tutela do sector da economia nos últimos anos da primeira República, defende a manutenção da TACV como companhia aérea de bandeira, com a aposta não só no mercado étnico, mas também para garantir a conectividade, tendo em conta o posicionamento geoestratégico de Cabo Verde.
Mas antes, o antigo ministro realça que o debate em torno da TACV não tem servido para esclarecer os problemas de fundo da empresa, mas sim para tirar dividendos político-partidários. “É um mau serviço que se presta à democracia e ao país”, afirma.
Para Lopes da Silva, a TACV, com todos os problemas que tem, “continua a ser uma das melhores companhias africanas e uma das poucas que pode voar para os EUA, isso diz tudo. Até onde pude acompanhar a companhia, tinha uma gestão de primeira classe, isso quando operava só no mercado interno”.
Para o antigo ministro, a posição geoestratégia de Cabo Verde é um grande activo que confere um “grande valor” à TACV, mas que só isso não basta. “A TACV começou com um capital próprio, já não sei ao certo, mas rondava os 50 mil contos. Enquanto ministro, sempre exigi a prestação de contas. Os resultados apontavam quase sempre para o equilíbrio, ou por algum prejuízo considerado normal na altura”.
Lopes da Silva considera ainda que um dos grandes erros da TACV está ligado ao facto de não se ter acautelado, no devido momento, a transição da companhia da vertente exclusivamente doméstica para a internacional. “Isso aconteceu sem a correspondente mexida na parte financeira”.
Lopes da Silva admite que hoje há menos interferência política em questões técnicas do que acontecia no seu tempo, mas considera que não há visão para rentabilizar a TACV.
“Dentro dos limites que nós temos, a TACV não é uma empresa rentável”, frisa, citando o exemplo do boening 757, que, no seu entender, não serve para a linha para os EUA. “Desde já, porque transporta pouca carga. Sendo essa rota servida essencialmente pelo mercado étnico, que transporta muita bagagem. Neste caso, a TACV é confrontada com o problema de trazer o passageiro com a sua carga, ou limitar a entrada de passageiros”.
“Para tirar a TACV da situação em que está, é só com medidas de grande alcance: definir um quadro optimista e, em função desse quadro, definir o aparelho. Que aparelho? Não seria 757, longe disso, 757 não serve. Mas, seria talvez o Airbus, seria uma boa opção, tanto mais que esse avião tem uma boa disponibilidade de carga”, enfatizou.
Para Osvaldo Lopes da Silva, a TACV deve definir um mercado muito mais vasto do que o actual com uma frota à altura desse quadro. “Se o Estado não tiver dinheiro para injectar recurso à companhia tem de garantir avales para que possa contrair empréstimos junto à banca, no sentido de permitir que haja liquidez indispensável para a viabilização da companhia aérea de bandeira”, conclui.
 
 

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