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Cultura

Artemisa Monteiro: Vestir “pais e filhos”

Artemisa Monteiro é, actualmente, uma referência no estilismo ou corte e costura em Cabo Verde. Já fez desfiles onde apresentou criações suas, explorando o conceito “Pais e filhos”. Entretanto, ressalva que a moda, para ela, é apenas um “passatempo”.

Natural da Assomada, Santa Catarina, 38 anos, Artemisa Monteiro confessa que desde cedo sentiu o gosto pela moda, quanto mais não seja porque pertence a uma família de costureiras, tendo a mãe como principal mentor do ofício. No entanto, foi há cerca de dois anos que resolveu abraçar a área com mais afinco.

Isto é, começou por criar peças para si mesma, aproveitando restos de tecidos para produzir roupas para a filha. Mais tarde, passeando na rua com os filhos, usando os mesmos padrões e estilos, quase que inevitavelmente acabou por promover o conceito “pais e filhos”, por ela criado. E, uma vez captada a atenção do público, logo começaram também a surgir as encomendas, o que fez com que levasse o conceito mais adiante. “É certo que nem toda a gente gosta de vestir-se igual aos filhos, ou vice-versa, mas também há gente que gosta, como é o meu caso”, confessa.

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“Pais e filhos” costuma ser solicitada para desfiles na cidade da Praia, caso de “Vaiss Fashion Day”, onde esteve presente em 2014 e 2015. “Uma experiência mesmo boa”, afirma. “No primeiro ano foi menos participativo, mas já este ano foi melhor, estimulante”.

Identidade

“Cabo Verde sempre teve a sua orientação de moda”, defende a entrevistada do A NAÇÃO, para quem, o actual momento merece particular destaque. “Mostra-se bastante evoluído, com várias criações e tendências”.

Entrar com o pé direito no circuito internacional da moda é, contudo, “um pouco difícil”, segundo a nossa entrevistada. “Isso passa, inevitavelmente, por ter uma identidade ou um conceito, coisa que tenho procurado fazer. Gostaria de fazer desfiles além fronteiras, até já tenho solicitações do estrangeiro, de cabo-verdianos em Holanda e Portugal”, revela.

No entanto, apesar disso, Artemisa Monteiro prefere, por enquanto, não arriscar muito, mas espera um dia poder investir mais no ramo, começando por ampliar o seu atelier que neste momento funciona num pequeno espaço em sua residência.

Autodidacta e curiosa, Artemisa Monteiro nunca fez qualquer formação relacionada com o estilismo. É quadro do Ministério do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território (MAHOT), na área de formação em administração territorial. “A moda é simplesmente passatempo”, diz.

Quem mais procura os seus serviços são mulheres, mas também, ocasionalmente, homens. “A remuneração por este tipo de serviço não é muita, mas ajuda e muito no orçamento familiar, um dinheiro muito bem-vindo e muito bem aproveitado”, segundo ela.

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A matéria-prima em Cabo Verde continua a ser o “calcanhar de Aquiles” para quem queira viver do estilismo. Ainda assim, acredita, “é uma área que está de boa saúde, pois na moda sempre surgem oportunidades, de criar, de negócios, etc.”.

Pronto a vestir perde terreno

Artemisa baseia-se na sua experiência pessoal para dizer que o “Pronto a vestir”, ao contrário das últimas duas décadas, “está a ceder lugar às criações por encomenda, o que tem ajudado imenso o sector”.

Apesar de desvalorizar a concorrência, que sente de quando em vez, Artemisa Monteiro aconselha a quem queira investir na área, para “não sentir receios”, usar em vez disso “a criatividade sempre apostando num conceito, tal como ela fez e deixar o resto nas mãos de Deus”.   

JF

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