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Sociedade

Social 2015: E todos morremos um pouco com o “Vicente”

O naufrágio do navio Vicente, a 8 de Janeiro, a quatro milhas do porto de Vale dos Cavaleiros, provocando três mortos e 12 desaparecidos, é o acontecimento mais marcante e doloroso deste 2015 que ora finda. A nível social, 2015 fica também marcado por várias contestações, nomeadamente laborais e sociais. O ano fica igualmente coroado com a designação de Don Arlindo Furtado a Cardeal, o primeiro da história de Cabo Verde.
O afundamendo do navio Vicente, de quase 50 metros e propriedade da companhia Tuninha, que fazia ligação entre Praia e São Filipe, transportando 26 pessoas a bordo, das quais 11 foram resgatadas com vida, acabou por ser o acontecimento mais impactante e doloroso de 2015 em Cabo Verde. Desde logo pelo número de pessoas que nele morreram (três) e o desaparecimento de outras 12, portanto, num total de 15 vítimas, ao que tudo indica, mortais.
Independentemente das responsabilidades de uns e outros, a tragédia fica na história como o pior acidente marítimo registado em Cabo Verde nos tempos mais recentes. Tal como no poema de Ovidio Martins, todos nós morremos “um cuzinha” com o afundamento do “Vicente”.
Como sempre, na hora de procurar os responsáveis, praticamente se assistiu a um passar de culpas, desde logo porque ninguém – mesmo entre os responsáveis óbvios e visíveis – se dispôs a assumir o ónus pelo mau ou precário funcionamento do nosso sector marítimo. O assunto foi, como não poderia deixar de ser, bastamente debatido no Parlamento, cuja comissão de inquérito acabou com duas conclusões, uma do MpD e outra do PAICV.
Para a história fica, entretanto, a conclusão que o mau tempo, o excesso de carga, a deficiência na gestão de tráfego no porto, manobra perigosa do capitão foram as principais causas do trágico acidente de 8 de Janeiro. Por resolver continua, as indemnizações e a situação dos familiares das vítimas e dos sobreviventes, muitos dos quais deixaram de ter meios de subsistência devido à morte ou desaparecimento dos respectivos chefes de família.
Outro assunto que marcou o ano 2015 no campo social foi a contestação de vários segmentos laborais. Tivemos assim greves dos agentes da Polícia Judiciária (PJ), Registos e Notariados, professores, pessoal das Alfândegas, Instituto Nacional de estatística (INE) e Laboratório de Engenharia Civil (LEC). Todos tendo como mote principal melhorias saláriais, promoção e progressão na carreira. O ministro da Justiça, José Carlos Correia, um dos principais visados, chamou a atenção para a necessidade de um maior realismo por parte dos sindicatos, dizendo que o país não pode dar o que não possui.
 
 

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