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Política

Presidência da Comissão da CEDEAO: Orlando Dias desafia Luís F. Tavares a desmentir apoio “incondicional”

Orlando Dias não desarma. Em carta endereçada aos membros da Comissão Política do MpD, que A NAÇÃO teve acesso, ele lança duras críticas ao ministro Negócios Estrangeiros. E desafia Luís Filipe Tavares a desmentir, publicamente, o apoio que lhe havia prometido na disputa da presidência da Comissão da CEDEAO.
As ondas de choque da não eleição de Cabo Verde à presidência da Comissão Executiva da CEDEAO continuam a fazer-se sentir. Orlando Dias, um dos concorrentes ao lugar, escreveu aos membros da direcção do seu partido, MpD, para dar conta de como o dossiê foi tratado por parte do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, bem como pelo próprio chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva.
Nessa carta, a que A NAÇÃO teve acesso, Orlando Dias começa por dizer que foi alertado pelas delegações da Nigéria e do Gana, no Parlamento da CEDEAO, de que em 2018 seria vez de Cabo Verde assumir a presidência da Comissão Executiva da Comunidade sub-regional, mas que o Governo cabo-verdiano dava sinais de ignorar tal facto.
“Na sequência desse alerta comuniquei, imediatamente, esta possibilidade e todas as informações sobre o processo ao ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades manifestando-lhe a minha total disponibilidade para presidir a Comissão da CEDEAO”.
Na ocasião, segundo Dias, “o ministro Luís Filipe Tavares garantiu-lhe “apoio incondicional para assumir o cargo”, daí dizer esperar que “o Ministro L.F.T. tenha palavra, carácter e hombridade suficientes para não negar isto”. “Assim, logo depois do encontro com ele solicitei uma audiência à Sua Excelência o Senhor Presidente da República de Cabo Verde, Dr. Jorge Carlos Fonseca, a quem também transmiti todas as informações inerentes ao processo, disponibilizando-me, de igual modo, para presidir a comissão da CEDEAO”.
Dias diz ainda que a “inesperada” manifestação de interesse de Isaías Barreto obrigou-lhe a declarar publicamente a sua disponibilidade em avançar como candidato ao cargo de presidente da Comissão da CEDEAO, tendo comunicado a decisão, “logo de seguida ao primeiro-ministro, no estrito cumprimento de um direito político e de exercício da cidadania”.
Porém, nesse primeiro encontro com o Chefe do Governo, em nenhum momento, segundo o signatário, Ulisses Correia e Silva lhe falou de algum compromisso prévio que, eventualmente, teria com outra pessoa.
“Contudo, na semana seguinte ao encontro com o senhor primeiro-ministro, o semanário A NAÇÃO deu à estampa uma notícia sobre o processo da Presidência da Comissão da CEDEAO, afirmando que afinal, além das manifestações de interesse de Isaías Barreto e da minha, o Governo estaria a cogitar no José Luís Livramento para assumir as funções de Presidente da Comissão da CEDEAO”.
Dias revela também que na sequência da notícia do A NAÇÃO, solicitou um encontro com o LFT, “para clarificar a situação”. “Foi então que fui surpreendido pelo ministro que me confirmou a notícia avançada pela imprensa, afirmando que, de facto, ele e o primeiro-ministro teriam assumido um compromisso com José Luís Livramento, no sentido de assumir a Presidência da Comissão da CEDEAO, porque tanto o Dr. Ulisses Correia e Silva como o ministro, Luís Filipe Tavares entendem, subjetivamente, que José Luís Livramento tem melhor perfil para o cargo, já que é doutorado em economia”.
“Obviamente que discordei, frontalmente, dessa avaliação meramente subjetiva e sem sustentabilidade argumentativa, pois o Presidente da Comissão da CEDEAO não tem que ser um académico em economia ou em qualquer outra área de saber”, prossegue o signatário. “Até porque o protocolo Adicional A/SP.14/02/12, no seu artigo 10 afiança claramente o perfil do Presidente da Comissão da CEDEAO dizendo que: ‘o Presidente da Comissão da CEDEAO deve ser um cidadão de um Estado-Membro, com uma comprovada competência e integridade, demostrando uma visão global de questões políticas, económicas e integração regional”.
DA – Leia mais na edição nº 539 do Jornal A Nação.

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