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Economia

Privatização da TACV continua incerta

Continua em aberto o processo de privatização da TACV, com o próprio ministro Olavo Correia a reconhecer que não tem “garantias absolutas” nesse sentido. Mário Chaves, administrador da TACV Internacional pela Icelandair, também diz que, por agora, a empresa está “focada no contrato de gestão”. A privatização anunciada inicialmente para Março, essa, foi adiada por mais algum tempo.
O pesadelo chamado TACV, que tem sugado milhões de contos aos contribuintes, parece estar ainda longe do fim. A par dos problemas de conexões (Praia e Mindelo), funcionários à deriva, sem saber do seu futuro, o Estado continua a injectar dinheiro na agora TACV Internacional para manter activa a ideia de uma companhia de bandeira disposta a conquistar o mundo.
Com um passivo de 12 milhões de contos, só o Governo de Ulisses Correia e Silva já injectou dois milhões de contos, em dois anos, contrariando as promessas de campanha e até uma decisão do Concelho de Ministros, em Maio do ano passado, pela voz de Luís Filipe Tavares, de que o Governo não utilizar mais fundos públicos para continuar a suportar a TACV.
Já na altura começou por acontecer algo recorrente neste Governo, em relação à TACV, de ora dizer uma coisa e passo seguinte o seu contrário. Pois, logo depois ao anuncio de Luis Filipe Tavares, dos Negócios Estrangeiros, o seu colegas das Finanças, Olavo Correia, surgiu a esclarecer que afinal a suspensão do financiamento só iria acontecer depois de concluída a “reestruturação” da TACV.
“Estamos a reestruturar para a partir de um certo momento o Estado deixar de financiar a empresa, mas há um processo de transição. Uma empresa com uma dívida acumulada de mais de 100 milhões de euros e que tem um passivo operacional importante vai precisar de uma intervenção do Estado nesse processo de reestruturação”, acalmou na altura o ministro das Finanças e hoje vice-primeiro-ministro também.
“Sem garantias absolutas”
Um gasto que agora Olavo Correia justificou, na segunda-feira, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão da TACV, como sendo necessário até que a privatização esteja concluída. Isto depois do secretismo que envolveu o contrato de gestão da companhia aérea nacional e a Icelandair.
“Para viabilizar a empresa, até privatizar, é preciso que ela esteja operacional, e isso implica que financiemos a operação, encontremos soluções para o saneamento e para a redução de pessoal. A nossa perspetiva é que a partir do momento em que a empresa seja privatizada, a transferência seja zero”, afirmou Olavo Correia aos jornalistas à saída da CPI.
Aquele governante disse estar optimista quanto ao andamento do processo, mas foi cauteloso, deixando transparecer que não é certo que a Icelandair queira assumir a TACV, ao arrepio do que se chegou a veicular. “Só posso dar garantias absolutas de que a empresa será privatizada quando tiver o contrato assinado. O processo está em fase de conclusão, mas até lá existem riscos. Estamos a trabalhar para que a solução seja positiva. Como é óbvio temos planos B e C, mas há um engajamento, um comprometimento das partes para viabilizar a operação”, esclareceu.
Contactado pelo A NAÇÃO, Mário Chaves, administrador executivo da TACV Internacional pela Icelandair, fechou-se em copas. “Neste momento temos um contrato de gestão e é nesse contrato que estamos focados”, disse, alegando não estar autorizado a falar em nome da Icelandair.
Resumindo, prevista para acontecer agora em Março, a conclusão da privatização acaba de ser adiada para um outro momento, sendo certo que em Agosto a Icelandair termina o seu contrato de gestão com o Estado de Cabo Verde. Ao jornalistas, o ministro das Finanças deu a entender, que tudo continua a depender do estudo sobre a privatização da TACV, estudo esse encomendado à Icelandair, e que deve ficar concluído até final deste mês de Março, e que só depois disso é que irá avançar, efectivamente, com a privatização. “Só depois da avaliação iniciaremos as negociações, até lá não temos o valor da empresa definido por uma entidade externa conforme manda a lei”.
Gestão “milionária”
Desde o início do contrato de gestão e reestruturação da TACV, que o Governo tem apostado todas as fichas na Icelandair, como parceiro “estratégico”. Até agora, aos olhos de observadores e analistas, a empresa islandesa é a única entidade a lucrar com a situação da TACV. Nesse coro encontra-se o sindicalista Carlos Lopes, da UNTC-CS, para quem “o contrato de gestão da TACV Internacional, o aluguer dos aviões e aluguer de tripulação (islandesa)”, numa palavra, “tudo isso é pago”.
Com efeito, para além dos 100 mil contos anuais para a gestão da companhia, a empresa islandesa encaixa cerca de um milhão de contos anuais, com o aluguer dos aviões, tripulação e manutenção. Para o Governo, este é um “esforço” vale a pena, já que os resultados, como tem sido dito, são promissores. O ministro José Gonçalves chegou há dias a cogitar a possibilidade de Cabo Verde ter que importar pilotos para dar conta às novas necessidades da TACV.
No entanto, por aquilo que A NAÇÃO conseguiu apurar, o quadro está longe de ser colorido como pretende o discurso oficial. Inclusive, por falta de ocupação, há vários voos que vêm sendo suspensos. Por exemplo, o voo para o Brasil, que devia acontecer ontem, quinta-feira, teve de ser adiado para domingo. Segundo as nossas fontes, isto vem sendo recorrente.
Em todo o caso, a confirmar-se que a Icelandair esteja efectivamente interessada na TACV, a ideia é que ela fique com 51% das acções da companhia cabo-verdiana. Mas por agora resta a incerteza e os custos para manter a TACV “viva”, neste caso através do actual contrato de gestão, um contrato tido por muitos como “milionário” e que chega ao fim, em Agosto próximo. Até lá o desfecho continua em aberto.
Gisela Coelho

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