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Opinião

A ética nas organizações como desenvolvimento da consciência crítica e da cidadania

Por: Pedro Ribeiro

Neste artigo procuro, sem aprofundar no sentido puro e simples da palavra ÉTICA, e sim oferecendo aos gestores a oportunidade de refletir sobre sua realidade empresarial, no que diz respeito à ética vigente em suas organizações. Os códigos éticos – implícitos ou explícitos – dão o tom no relacionamento cliente-fornecedor, indicam filosofias empresariais, compõem missões, definem negócios, apontam diretrizes de ação. O tempo das negociatas, da corrupção (passiva ou ativa), do “passar a perna” no cliente, do “puxar o tapete” do colega colaborador/funcionário, do “se apossar de idéias dos outros e omitir a autoria”, enfim, do “jeitinho cabo-verdiano”, vem sendo questionado e tornou-se objeto de discussões quotidianas.

Além das leis que protegem os direitos das pessoas, o desenvolvimento da consciência crítica e da cidadania se incorpora cada vez mais em nossa bagagem de valores. Atitudes de indignação e reações contra a falta de ética estão  presentes no comportamento organizacional da maioria das empresas.Pressupostos básicos proclamados por Pierre Weil, Oscar Motomura, Takeshi Imai, Deming, Ishikawa e outros líderes em suas áreas de atuação, apontam  uma nova ordem e nos fazem repensar sobre nossa visão de  mundo e sobre o ser humano. Segundo Pierre Weil, em seu livro Organizações e Tecnologias para o Terceiro Milênio: “Ética é o conjunto de valores construtivos que levam o homem a se comportar de modo harmonioso” E vai mais além: “Certo número de valores são intimamente ligados com a ética. São os valores que determinam opiniões, atitudes e comportamentos de uma pessoa. Quando são de natureza construtiva, as pessoas se comportarão de modo ético; o contrário também é verdadeiro”.

Estes valores, afirma, influenciam a qualidade de vida, o desenvolvimento cultural e mesmo a preservação da própria cultura. Os princípios éticos que deverão nortear a práxis nas sociedades do próximo século vêm sendo alvo de discussão e reflexão nas diversas instituições existentes no mundo. Acordos de cooperação e parceria, livres mercados e convênios de cooperação técnica, demonstram a necessidade do estabelecimento de uma nova ordem ético-social.

Sabe-se, a princípio que os valores componentes de nosso código de ética são aprendidos e incorporados sutilmente em nosso modo de ser. Nossas crenças determinam nosso comportamento na vida e na empresa. Adotamos comportamentos e atitudes que correspondem ao nosso aprendizado junto às pessoas que fizeram e fazem parte de nosso meio familiar, social e empresarial. Cada um de nós tem suas matrizes de identidade que nos legaram  seus códigos de ética. Por outro lado, na medida em que repetimos a história, transformamo-nos em novas matrizes: pontos de referência para os que estão à nossa volta.

Os valores norteadores das pessoas que tendem a um comportamento pautado pela ética destrutiva (comportamento dissociado, atitude preconceituosa, desconfiança, descrença, discurso diferente da práxis), partem da visão de um mundo mecanicista, baseada na crença  cartesiana de que o homem precisa de controles e só age por coerção. Aqueles que tendem à ética construtiva (comportamento harmonioso, atitude aberta e inteira, confiança, crença no valor do ser humano no discurso coerente com a práxis), vêem o homem como um organismo vivo, que contém os princípios do universo (paradigma holístico).

Acreditam que os valores precisam ser despertados e não controlados, pois já estão dentro de cada pessoa. As discussões a respeito da ética vigente nas organizações têm sido ricas, principalmente por apontarem conseqüências dos dois modelos. Os próprios gestores, em sua auto-avaliação, citam a necessidade de mudanças e demonstram comprometimento com melhorias.

Em suma, essas reflexões devem sinalizar direções de ação e caracterizam os dois modelos de administração: Baseados na ética construtiva, venda pelo preço justo e com valor acrescentado; aumento de produtividade com reversão parcial de lucros para os colaboradores; benchmarking; impostos em dia; ecologia ambiental e humana; programas voltados para a qualidade de vida do colaborador; poder descentralizado com definição de tarefas e responsabilidades; conhecimento, valorização e aproveitamento do potencial humano; clima harmonioso; missão clara e compartilhada por todos; objetivos compartilhados, ligados à missão; metas claras e compartilhadas.

Baseados na ética destrutiva, venda pelo maior preço; aumentos de produtividade sem reversão parcial de lucros para os colaboradores; espionagem comercial; sonegação de impostos; despreocupação com o meio ambiente; despreocupação com a qualidade de vida do colaborador; poder centralizado; desconhecimento e desvalorização do potencial humano; clima de terrorismo; missão indefinida ou inexistente; objetivos pessoais em detrimento dos organizacionais; metas obscuras ou inexistentes.

O realinhamento de crenças e  o valor da ética têm sido rediscutidos como conseqüência natural da cidadania e do desenvolvimento da consciência crítica, precisamos estar atentos às mudanças  necessárias. As fronteiras se flexibilizam ou se fecham na medida em que as empresas adotam um ou outro modelo. Cabe, portanto aos gestores empreendedores incentivar e iniciar mudanças, sem medo de perder o “tacho”!

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