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Sociedade

Hospital “Dr. Agostinho Neto” : Serviços de Oftalmologia mais preparados

Em 2017, o HAN efectuou cinco mil 633 consultas de oftalmologia. Ao todo, foram realizadas 421 cirurgias, das quais 376 programadas e 45 urgentes. Também aumentou o número de cirurgias, conforme os dados de 2018. Neste caso, foram 4787 consultas, atingindo 799 cirurgias. Deste número, apenas 56 foram com urgência, os restantes tiveram uma assistência preparatória.

De acordo com a mesma fonte, houve uma diminuição de evacuações para o exterior. Em 2018, o número de evacuações passou de 33 para 29. Um decréscimo considerável, tendo em conta que nos anos anteriores muito mais doentes foram encaminhados para o exterior.

Neste momento, a principal causa da evacuação para o exterior é o tumor ocular. A maioria dos doentes são evacuados quando a doença está em fase avançada. 

Melhoria da capacidade

Segundo o oftalmologista Júlio Andrade, também director do HAN, o aumento de cirurgias deve-se à melhoria da capacidade interna de assistência na área da oftalmologia,.

“Já resolvemos muitos problemas no domínio da Oftalmologia. Por exemplo, para os doentes com glaucoma e catarata podemos fazer cirurgias. Neste momento, fazemos cirurgias na Praia e em São Vicente”, garante Andrade.

O director do HAN acrescenta, ainda, o reforço que tem sido dado pelas missões a Cabo Verde de equipas estrangeiras.

“Em média, temos que fazer mil cirurgias regulares de catarata. Às vezes, não temos capacidade financeira e recursos humanos para fazer cirurgia de todos esses doentes. Essas missões fazem cerca de 300 cirurgias e nós fazemos as restantes para evitar o número significativo de cegos por causa da catarata”, explica Andrade. 

Para este responsável, Cabo Verde tem, no entanto, “todas as condições” para evoluir na área de oftalmologia.

“Santiago tem seis oftalmologistas e São Vicente cinco. Sal e Fogo também têm oftalmologistas. Não são suficientes para resolver todos os problemas, mas, com este número, podemos dar um salto qualitativo se continuarmos a apostar nos equipamentos e na formação”, acredita, notando que “a Oftalmologia dispõe de muitas tecnologias”.

Face a isso, Júlio Andrade advoga que é necessário unir esforços do Governo, da população e do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) no sentido de fazer mais investimentos nessa área. “Sózinho, o Estado não consegue”, realça.

A mesma opinião é partilhada pelo chefe de serviço de oftalmologia, Bernardino Sanches, para quem os doentes que têm dado entrada no hospital têm tido “uma boa assistência” com os oftalmologistas permanentes.

Reclamações

No entanto, para quem está de fora, o HAN ainda não garante as “boas condições” dos cuidados da saúde ocular. As críticas têm sido direccionadas, sobretudo, por causa do muito tempo de espera pelas consultas.

Hirondina Tavares, 21 anos, foi diagnosticada uma miopia em 2015. Desde então, o seu caso tem vindo a agravar-se, daí a necessidade de consultas periódicas e troca de lentes. Como diz, deixou de procurar o HAN, por causa da demora do atendimento.

“Desde a primeira vez, tentei marcar uma consulta no hospital e disseram-me que só tinha lugar no ‘próximo mês’. Desde essa altura, desisti do Hospital. Demora-se para atender o paciente e, se for algo grave, corre-se o risco de perder a visão”, pontua Tavares.

Embora o preço seja muito maior, esta cidadã decidiu recorrer às clínicas privadas.

“Gostaria de fazer as minhas consultas no hospital público, porque o preço nas clínicas é mais inacessível mas, com a demora do hospital público, sou obrigada a pagar esse preço porque não posso aguentar a dor de cabeça durante mais de um mês, à espera de uma vaga”, justifica.

Também o professor do Ensino Secundário, Nelson Martins, confessa ao A NAÇÃO que deixou de procurar o serviço público devido à demora no atendimento.

“Tenho problemas de visão desde criança e sinto a necessidade de fazer o acompanhamento regularmente. Para isso, vejo-me obrigado a recorrer aos privados, uma vez que no hospital demora-se muito tempo”, frisa Martins.

Acesso a todos

Interrogado sobre a acessibilidade das pessoas com fraco poder económico, o director do HAN garante que todos têm acesso aos cuidados de Saúde e que “o Hospital abomina quaisquer barreiras” económicas e/ou sociais. 

“As pessoas, muitas vezes, questionam a Taxa Moderadora. É um custo mínimo. O valor que é cobrado é apenas sete a 10 por cento do custo real do tratamento no hospital. As pessoas criam polémicas à volta disso, mas é uma comparticipação mínima. Portanto, é por outras vias que se financia o nosso sistema de saúde”, explica.

“A Taxa Moderadora é importante para moderar o consumo e não para o financiamento do sistema. É para racionalizar os cuidados de saúde. Caso contrário, entramos na insustentabilidade, não teremos a capacidade de dar respostas, se houver um consumo exagerado e desnecessário”, concluiu.

JS – Estagiária

(Publicado no A NAÇÃO impresso, nº 615, de 13 de Junho de 2019)

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