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Cultura

GG trabalha em álbum de estreia intitulado “O pior MC da ilha”

O rapper sanvicentino, GG, vai lançar em breve o seu álbum de estreia a solo, intitulado o “O pior MC da ilha”. Com 12 a 15 faixas, este trabalho, segundo o rapper, pretende devolver o rap a sua essência, retratando a prostituição, tráfico de drogas e uma página negra da sua vida referente a toxicodependência. “Testemunho”, lançado há  algumas semanas, é primeiro single do álbum que GG pretende dar a conhecer.
Nasceu em São Vicente há 30 anos, tendo crescido nas ruas de Chã de Alecrim, bairro do norte da ilha. Foi membro do grupo Hip Hop Art, grupo com o qual  participou por várias vezes no festival da Baía das Gatas e em vários outros palcos inclusive nas ilhas de Santiago, Sal, Santo Antão e São Nicolau. Actualmente considera-se discípulo do rapper, Expavi, e tem em Batchart uma grande referência e o porto seguro.
Hernani Delgado ou GG não é um nome estranho na cena do hip hop crioulo, apesar de andar um tanto ou quanto desaparecido dos holofotes deste estilo musical. Recentemente lançou o single “Testemunho”, que é o primeiro do seu álbum de estreia, intitulado “O pior MC da ilha” a ser lançado em Novembro próximo, mês alusivo a cultura hip hop.
“Testemunho é um retrato da autodestruição da juventude cabo-verdiana, uma chamada de atenção aos jovens e às autoridades competentes ao flagelo do álcool e outras drogas”, começa por dizer GG.
O lançamento do álbum vai ser acompanhado de um livro autobiográfico, que fala da superação à toxicodependência. É que GG é um adicto em recuperação.
“O pior MC da ilha” vai ter entre 12 a 15 faixas segundo o nosso entrevistado. Metade das faixas musicais já foram gravadas nomeadamente nos estúdios de Rossini Andrade e Bangstar. A masterização é feita pelo conceituado Golbeats. A produção também conta com a participação de Masterbeats, Golbeats e  Naná, entre outros.
“O meu objectivo é devolver o rap à sua essência com rimas fortes inspiradas na palavra de DEUS e com a sabedoria que somente o temor a DEUS pode conceder”, acrescenta.
Discografia
GG fez-se rapper na “escola” do Hip Hop Art, onde trabalhou com Batchart, Expavi, KuArt K., TercerVoz, Boss Pipi, entre outros nomes. A solo já lançou quatro mixtape, nomeadamente “Bo t’ uvim” (2009), “Rap cru” (2010), “P’ abrib cabeça” feat Dj Letra (2011) e cabeça dura (2014).
Adicto em recuperação
O álbum que GG dá a conhecer em partes confunde-se coma história do próprio artista. Iniciou o consumo de drogas ainda na adolescência, altura em que presenciou a degradação do seu bairro, como consequência da comercialização do crack.
“Com 22 anos senti a necessidade de parar de usar drogas. Não consegui, mas na época por alguns problemas que tive, parei de usar erva. Quando parei de usar erva comecei a usar cocaína de forma compulsiva, não que antes não usasse”, recorda.
Em 2014 o rapper, Batchart, entrou na sua vida perante a sua vontade de largar as drogas. Seguiu-se um longo período de negociação, conforme faz saber, até que em 2018, depois de algum tempo sem consumo decidiu ir fazer tratamento.
“Fui para Praia onde a minha intenção era iniciar o meu tratamento na comunidade terapêutica Granja de São Filipe, mas antes eu quis passar pelas Tendas el Shaddai que é um lugar, o qual já tinha ouvido falar muito. Cheguei ali a 16 de Janeiro. Na granja o tratamento é de 6 meses, na tenda é de 9 meses”.
Hoje, a cada cinco palavras que saem da boca de GG, duas remetem a Deus, resultado do processo de recuperação a que se submeteu. Acredita que o tempo tratamento não é nada, diante do estilo de vida que adoptou após a sua passagem pelas Tendas El Shaddai.
“Trabalho num bar, mas porque é uma necessidade. De resto não frequento qualquer tipo de bar, porque me sinto mal nesses ambientes. Estou em recuperação e assim vou levando-a como uma batalha diária”, diz.

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