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Opinião

Sociedade eficiente deve operacionalizar oportunidades de mudança

Por: José Valdemiro Lopes

Há, dois indicadores que não podem deixar indiferentes os leaders cabo-verdianos: Primeiro, cerca de cinquenta por cento dos jovens se tiverem oportunidades, deixarão o país, para procurarem algures uma vida mais condigna. Segundo, Cabo Verde é o segundo país em África com mais casos, de depressão e verifica-se, infelizmente, um número alarmante de suicídio jovem neste país arquipélago…

Estas duas realidades, não estão, ligadas, com a situação social de desemprego jovem, vigente e reinante, faz já mais de dez anos e que, marginaliza a juventude cabo-verdiana?

A verdade, é que a evolução verificada, sob a forma de crescimento económico, não foi inclusivo e não teve impacto na massificação de empregos, também, perdeu-se neste ano de 2019, no Parlamento, Nacional, cabo-verdiano, uma bela oportunidade de materialização de mudanças, para debelar assimetrias regionais, com o chumbo na Especialidade do projecto da Regionalização Administrativa. O principal factor, produtor das assimetrias regionais, é o Centralismo Administrativo, aprofundado por uma administração pública pouco eficaz, como os atrasos na resolução dos problemas de conflitos judiciais, entre outros.

A mudança rumo ao desenvolvimento inclusivo desejado, não surtiu efeito, nestas, nove ilhas habitadas que ficaram reféns e padeceram primeiramente, por assim dizer da “escolástica” e mesmo “fossilização” de um pensamento politico partidário imposto durante três lustros e nos últimos quinze anos, embora em plena democracia a bipolarização politica, criou, artificialmente, barreiras ao modernismo e crescimento inclusivos, graças á primazia da agenda partidária sobre o interesse nacional e o pseudo intelectualismo político partidário, com suas consequências colaterais aprofundando o fosso nas assimetrias regionais e injustiça social.

E que caminho seguir, para que todas as nove ilhas habitadas, possam sentir e viver, localmente, os efeitos da modernização, boa qualidade de vida, ter: melhor saúde, melhores instituições de ensino, acesso á cultura, lazer…

Durante toda a sua história, Cabo Verde foi sempre um espaço quase que privilegiado de intercâmbios e comunicação e aberta ao mundo a história da Cidade Velha e do Mindelo, marcaram do ponto de visto económico, dinâmicas, que foram interrompidas, por novos progressos em matéria de navegação marítima e tecnológica (aqui a invenção de motor a explosão substituindo, motores a combustão), ficando desnecessário, o “transit” criador, para os operadores comerciais, donos desses negócios internacionais que passavam por Cabo Verde, dos encargos económicos vindos da necessidade de fazerem escala “técnica”, em Cabo Verde. Com os progressos verificados, as ligações, passaram a serem feitas, dos portos de origem, aos portos de destino o que teve seus efeitos na estagnação económica destes dois portos e cidades.

Os indicadores sociais cabo-verdianos actuais, são altos, mas não correspondem a uma economia auto sustentável e de justiça social, os recursos são frágeis e insuficientes e a dependência, é grande e esmagadora…

O sistema financeiro que prevalece no mundo, nesta era do século vinte e um, não oferece apoio real aos países mais pobres nem aos meios sociais mais desfavorecidos deste planeta e cria riscos de violências e guerras comerciais. O mercado económico neoliberal está longe de resolver esses problemas socioeconómicos, e fica distante da resolução dos interesses comuns dos cidadãos de países pequenos e pobres, quando a primeira potência económica pensa, “primeiro meu país”…

A abertura ao mundo foi bom passo para esta pequena nação insular, mas o sistema sempre centralizado, provocou desequilíbrios e os recursos estão nas mãos de uma pequena minoria, a maioria ensombra-se na pobreza, desemprego e confronta-se com problemas de acesso á educação, serviços de saúde, ter casa própria, lazer…

A crise internacional, que persiste, mostra que a utopia neoliberal está chegando ao fim, a globalização obriga os decisores e dominadores internacionais a mudarem de estratégia para enfrentarem eles mesmos seus próprios desafios e vão se ocupar menos, de países pobres.

Esta crise, que perdura, põe também, em causa o mau sistema de orientação económica global fora de controlo, mas ditador: o modelo económico neoliberal, trava as economias emergentes e as dos países pobres.

Não há a mínima duvida que o crescimento económico é a melhor maneira de solucionar os problemas sociais e a pobreza, nestas ilhas. Cabo Verde deve enfrentar o desafio da mudança, forjando trajectórias, baseadas, na ciência, tecnologia e avanços na cultura e o papel do Estado deve ser o de estimular, abraçar e garantir as condições e descentralizar a administração pública. A resposta adequada, para estas ilhas, não é outra que a Regionalização. Caberá aos leaders das regiões identificar oportunidades locais para se poder encontrar, finalmente, os caminhos para o crescimento económico das suas regiões e progresso, superando as assimetrias regionais e a injustiça social, neste pequeno arquipélago de 4033 km2.

A nação cabo-verdiana deve viabilizar e possibilitar o empoderamento e garantir mais responsabilidades às regiões, para que sejam elas próprias a assumirem condignamente soluções para seus problemas e no caso concreto cabo-verdiano, isso só será possível, com o fim da centralização da administração pública. O país inteiro deve fazer tudo para fazer ganhar confiança e auto estima a seus jovens.

Cabo Verde, transformando-se no que se transformar, pertence á sua juventude.

miljvdav@gmail.com

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