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Sociedade

Dia mundial da saúde mental: É preciso desmistificar os conceitos de saúde mental e doença mental

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Saúde Mental, com enfoque na prevenção do suicídio e na necessidade de desmistificar e eliminar os preconceitos sobre a saúde mental.

Geralmente, faz-se uma associação da saúde mental às doenças mentais, gerando a ideia errónea de que só quem possui um distúrbio notável precisa cuidar da sua saúde mental. Da mesma forma, explica o coordenador do programa nacional da saúde
mental, Aristides da Luz, é errada a ideia de que, quem não apresenta nenhuma doença mental mensurável tem uma boa saúde mental.

Esta desmistificação, diz, é fundamental na prevenção ao suicídio, lema escolhido este ano para celebrar o dia mundial da saúde mental. “Sabemos que o suicídio, na maioria das vezes e tirando questões sociais e culturais que, felizmente, não existem na nossa sociedade, é o desfecho de uma patologia mental, entre as quais a depressão, as psicoses e a ansiedade”, explica Aristides da Luz.

Neste sentido, o programa nacional da saúde mental está trabalhando na desmistificação da ideia de que o seu papel é tratar das doenças mentais. O programa está igualmente a reestruturar os seus serviços, a nível comunitário e hospitalar, com foco na promoção e na prevenção.

Aristides da Luz considera, entretanto, que para falar da saúde mental é necessário “extrapolar” as barreiras do sistema de saúde, tendo em conta que “ter uma boa saúde mental começa na infância, na nossa casa, na nossa comunidade e nos nossos hábitos de vida saudáveis”.

“A saúde mental não é somente uma tarefa da saúde. Os outros parceiros têm de funcionar. As Câmaras Municipais, o ordenamento do território, a educação e ensino, têm todos papeis importantes a desempenhar” elucida.

Para isso, diz, deve-se estar alerta a fatores como o consumo de substâncias psicoativas, crianças com sinais de ansiedade, que muitas vezes vem do ambiente familiar, crianças com sinais de depressão ou de condutas inadequadas que vêm tanto da estrutura familiar como do meio envolvente.

“Por exemplo, já entrou em vigor, a nova lei do álcool, que eu acho que é uma mais valia, no sentido de acabar com o assédio que, infelizmente, há na nossa sociedade, no sentido de as pessoas consumirem bebidas alcoólicas. Seja desde a publicidade, da
venda em estabelecimentos perto das escolas e parques infantis” aponta, considerando que esta atitude já configura uma forma de promover a saúde mental.

Por isso, no novo plano estratégico da saúde mental para os próximos quatro anos, está previsto o acompanhamento da criança no seu desenvolvimento, em parceria com as escolas. “Não necessariamente porque mostra ou não uma deficiência ou uma doença, mas porque muitas vezes percebemos que há algum problema quando este já está instalado.”

Não há ainda dados estatísticos concretos sobre a ocorrência do suicídio em Cabo Verde, mas, “os dados mais fidedignos” apontam uma incidência na faixa entre os 20 e os 50 anos de idade.

NA

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