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Bolívia tenta sair do vazio de poder e evitar cenário de guerra civil

Submersa numa acefalia política, a Bolívia tenta, a partir de hoje, 12, reconstruir um mínimo de estrutura política, depois da renúncia do PR, Evo Morales, e de toda a linha sucessória na Câmara de Deputados e no Senado.

A segunda vice-Presidente do Senado, Jeanine Añez, convocou, para esta terça-feira, 12, os legisladores para uma sessão com o objectivo de aprovar a Carta de Renúncia de Evo Morales, formar um Governo interino e marcar novas eleições. Para isso, será preciso, também, nomear novos juízes para o Tribunal Supremo Eleitoral, que conduzirá o processo.

A questão é que, para tudo isso, serão necessários os votos do Movimento ao Socialismo (MAS), o Partido de Evo Morales, que controla 2/3 do Congresso.

Esse vazio de poder é o elemento mais perigoso deste processo. A ausência de Governo pode aumentar a tensão social nas ruas entre grupos violentos que se enfrentam.

Na Bolívia, uma maioria de analistas não vê o Golpe de Estado. Eles vêem a renúncia como consequência de maciças manifestações populares de uma sociedade que se cansou das violações à Constituição, do abuso de poder e da falta de liberdade. Os que vêem Golpe, dentro da Bolívia, são os militantes de Evo Morales.

Evo Morales não aceitou o resultado de um Plebiscito, que ele mesmo convocou, em Fevereiro de 2016. A população disse “Não” a um quarto mandato. Apesar de derrotado, o PR recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral. Em 2017, o Tribunal acatou o pedido, citando o artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos no qual toda pessoa “tem o direito de participar num Governo do seu País”. A partir dessa decisão, Morales conviveu com manifestações constantes que explodiram, quando, em 20 de Outubro passado, as evidências de fraude dominaram o resultado das Eleições.

Quando o Presidente já tinha perdido o controlo das manifestações, a credibilidade entre os subordinados e a chance de anular as Eleições de forma pacífica, o comandante do Exército e o comandante da Polícia “sugeriram” a sua renúncia. Esse pedido é o argumento que usam os que defendem a tese de um Golpe. Já os que afirmam não ter havido golpe olham para todo o processo que começou há quase quatro anos, com o Plebiscito.

A maior preocupação com um vácuo de poder é o risco de uma guerra civil, que os analistas alertam existir

O risco é de uma guerra de guerrilhas, que supere a capacidade de acção da Polícia e das Forças Armadas

As facções a favor e contra Evo Morales estão armados.

Com RFI

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