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Talento

“Manú” Soares, artesão da Ribeira Bote: Filho de peixe sabe nadar

Um ano e meio após o falecimento de Jorge “Djoy” Soares, o seu atelier continua a funcionar normalmente no bairro da Ribeira Bote, em São Vicente. A responsabilidade foi assumida pelo filho mais velho, Emanuel “Manú” Soares, presença assídua no espaço desde miúdo. “O meu pai formou-se no Atelier-Mar, sempre fazia uns trabalhos dentro de casa. Como eu era o filho mais velho, auxiliava-o sempre”, recorda.

Com a idade liceal, “Manú” ocupava as suas férias com o trabalho no Ateliê do pai. Uma vez concluído o 12º ano, e não podendo prosseguir os estudos, abraçou a cerâmica como o seu ofício. “Não tenho um diploma, mas considero-me uma pessoa com uma grande formação nesta área. Aprendendo com o meu pai, eu não poderia ter tido melhor professor”, diz.

“Manú” Soares trabalha por conta própria e juntamente com ele tem um outro jovem que vai dando o seu contributo no atelier. Não há um horário fixo, tanto podem começar a trabalhar às oito horas, como às nove ou mais tarde.  Expediente normalmente termina às 15, mas nos períodos em que a demanda é grande esta dupla sujeita-se a fazer horas extras.

“Às vezes, trabalho por objectivos/encomendas, outras nem por isso. Tento organizar a minha agenda consoante as encomendas. Os trabalhos feitos cá são muto requisitados. Há lojas que vêm cá comprar para revender e há outros eventos culturais em que sempre marcamos presença”, explana.

Feiras e parcerias

Ao longo dos anos, o Atelieê de “Djoy” tem estabelecido fortes parcerias, o que lhe permite não só marcar presença em eventos culturais, como também realizar trabalhos com vantagens para ambos lados. Um desses eventos é o Mindelact, certame que este ano celebra as bodas de prata entre os dias 7 e 16 de Novembro. Por estes dias, boa parte do tempo de “Manú” Soares é dispendido na preparação dos troféus a serem entregues as companhias de teatro que vão abrilhantar o Mindelact.

Outra parte do tempo é aproveitada para a preparação dos artigos a serem apresentados na URDI 2019 que acontece em finais de Novembro. “Já estamos preparar algumas peças e o tempo que nos resta é ara ultimá-los e garantir que tenhamos uma boa apresentação”, acrescenta.

A nível internacional, “Manú” Soares já participou numa Feira em Tenerife (nas  Ilhas Canárias), juntamente com mais 11 artesãos cabo-verdianos, sendo dois da área de cerâmica.

“Participei, também, em diversas feiras em São Vicente e na Praia, mas, a mais marcante, foi uma em 2018, em Tenerife. Levei alguns trabalhos já feitos, um pouco de tudo sempre na linha do que fazemos. A experiência foi fantástica, porque, sendo uma feira internacional, havia vários artesãos e artistas com trabalhos diferentes. Diálogo com outros expositores é algo em que sempre enriquecemos a nossa bagagem de conhecimento”, remarca.

Sem acusar qualquer pressão, “Manú” Soares assume, assim, o compromisso de dar seguimento ao ofício do pai. O objectivo, agora – segundo ele -, é alargar os horizontes, com a criação de novos meios de produção, mas mantendo a essência de “Djoy” Soares.

JF     

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